O juiz substituto Hélio Antônio Crisóstomo de Castro, em atuação na 1ª Vara Criminal de Goiânia, pronunciou ontem policial Antônio Luiz Goveia, que foi acusado pelo Ministério Público (MP) de ter assassinado o travesti Antônio Carlos Pereira, o “Tizuca”, na madrugada de 23 de dezembro do ano passado, na Avenida Paranaíba, Centro. Acatando as alegações do MP, o juiz determinou, na sentença, que ele seja submetido a júri popular por homicídio com duas qualificadoras (circunstâncias que podem aumentar a pena): motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Segundo denúncia do MP, Tizuca tinha o hábito de fazer programas e, em seguida, furtar seus clientes. No dia do fato, estava na Praça A, no Setor Aeroporto, quando foi abordada pelo policial, com quem saiu para fazer um programa. Ao retornarem, cerca de meia hora depois, ambos começaram a discutir sobre o valor do serviço, vez que Tizuca havia cobrado muito mais do que Antônio Luiz pretendia pagar. Depois de receber o dinheiro – não se sabendo ao certo se isso ocorreu de forma espontânea ou se a vítima furtou o policial – o travesti saiu do veículo conduzido por Antônio Luiz e foi andando em direção à Avenida Paranaíba em busca de novos clientes.
Narra a promotoria que, mais tarde, o acusado retornou à Praça A e, de arma em punho, obrigou outros travestis que ali se encontravam a dizer onde estava Tizuca. Em seguida, partiu rumo à Avenida Paranaíba e, ao chegar ao local e localizar o rapaz, apontou-lhe a arma e efetuou um disparo contra ele. Na seqüência, fugiu do local. Entretanto, policiais que realizavam o patrulhamento nas imediações ouviram o disparo e o perseguiram, efetuando sua prisão em flagrante.
Ao ser interrogado em juízo, o policial classificou o evento com “uma fatalidade”. Negando ter feito algum programa com travestis, disse que no dia do fato esteve na Avenida Paranaíba para perguntar a alguns travestis se tinham conhecimento de algo que pudesse ajudá-lo a localizar o autor de um furto realizado em seu carro alguns dias antes. Na ocasião, conforme sustentou, foi agredido inicialmente por dois deles e, em seguida, por cinco ou seis, que lhe atingiram com pancadas na cabeça e murros. “Eu queria apenas encontrar minhas coisas que estavam no carro e, no momento, estava com a arma na cintura. Eu a retirei e ela disparou”, afirmou. Ao proferir a sentença de pronúncia do réu, o juiz entendeu estarem presentes tanto os indícios de autoria quanto a materialidade do crime.