O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) assinou ontem medida provisória criando uma pensão mensal de R$ 750 para pessoas que tiveram hanseníase e foram obrigadas a permanecer em colônias até 1986. São os chamados “exilados sanitários”. Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente chorou ao ouvir histórias de três residentes das ex-colônias e deu a caneta esferográfica Montblanc vinho usada para assinar a medida a um integrante do movimento de atingidos pela doença. “É para virar peça de museu”, afirmou o autor do pedido, Cristiano Torres, morador de uma colônia de hansenianos do Pará. A caneta apresenta a inscrição Lula em branco, feita com letra cursiva.
Tentando disfarçar uma ponta de contrariedade, o presidente brincou, dizendo que o ideal seria começar a falar logo. “Antes que ele queira também meus óculos.” A medida provisória poderá beneficiar 3 mil pessoas que tiveram hanseníase. A pensão, vitalícia, é intransferível e será concedida mediante um parecer da Comissão Interministerial de Avaliação. Terão direito ao benefício pessoas que viveram em colônias entre 1963 e 1986. Em 1963, o tratamento para a doença estava estabelecido e organismos internacionais de saúde já haviam aconselhado a desativação das colônias. Mesmo assim, a internação compulsória vigorou por vários anos em alguns estados brasileiros.
Hoje, ainda existem no País cerca de 33 colônias. Elas abrigam principalmente ex-pacientes que, por problemas de adaptação física ou por opção, preferem permanecer nos antigos hospitais. “É uma reparação de justiça, diante de muitas que ainda temos de fazer”, afirmou o presidente sobre a pensão.