Num mês de pouco trabalho, em que nenhum projeto foi votado no plenário da Câmara, 496 dos 513 deputados gastaram R$ 4,8 milhões com a verba indenizatória — cota mensal de R$ 15 mil a que têm direito para custear gastos inerentes ao exercício do mandato. Os parlamentares foram ressarcidos depois de apresentaram notas fiscais referentes às despesas de dezembro de 2007 com manutenção de escritório, locomoção, consultoria e divulgação do mandato. As sobras podem ser acumuladas durante o semestre e os parlamentares aproveitaram o final do ano para gastar tudo o que tinham direito: 81 deles emitiram notas superiores ao valor gasto em novembro.
As justificativas são muitas. Além dos gastos com tradicionais cartões de natal e jornais de balanço de fim de ano, há quem admita que apresentou notas fiscais de serviços dos quais não pretendia obter ressarcimento somente para não deixar sobrar recursos aos quais têm direito no semestre. “A gente faz o levantamento. Se gastamos menos do que os 90 mil reais que podemos utilizar no semestre, pegamos outras notas, como telefones e outros serviços e apresentamos para não perder esse dinheiro”, explicou o deputado Ricardo Barros (PP-PR). As despesas do deputado saltaram de R$ 7,8 mil em novembro para R$ 36,9 mil no último mês do ano, de acordo com levantamento feito pelo Correio na página da Câmara na internet.
Barros está em terceiro lugar na lista dos deputados que mais gastaram verba indenizatória em dezembro de 2007. A primeira colocada é Marinha Raupp (PMDB-RO), que gastou 12 vezes mais no último mês do ano que em novembro. As notas apresentadas pela deputada à diretoria-geral da Câmara revelam que o que mais consumiu a verba de gabinete de Marinha Raupp foram as despesas com hospedagem e locomoção: R$ 36,6 mil. Em dezembro, a parlamentar gastou R$ 41,5 mil. Valor bem menor que o que ela declarou ter gasto com a verba indenizatória um ano antes. No último mês de 2006, Marinha Raupp apresentou notas no valor de R$ 77 mil.