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Família Gracie diz que vai processar médico e Estado por negligência

Família Gracie diz que vai processar médico e Estado por negligência

A família do lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie, 33, encontrado morto no sábado (15) em uma delegacia em São Paulo, afirma que vai processar o Estado e o médico que lhe deu medicamentos dentro de uma cela na delegacia. O corpo de Gracie foi enterrado na tarde deste domingo no cemitério São João Batista, no Rio.

A família do lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie, 33, encontrado morto no sábado (15) em uma delegacia em São Paulo, afirma que vai processar o Estado e o médico que lhe deu medicamentos dentro de uma cela na delegacia. O corpo de Gracie foi enterrado na tarde deste domingo no cemitério São João Batista, no Rio.

Segundo o pai do lutador, Carlos Robson Gracie, “fatalmente” a família irá processar o médico psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto e o Estado por negligência no tratamento de seu filho.

Integrante da família precursora do jiu-jitsu no Brasil, Gracie havia sido preso na tarde de sexta-feira (14) na região do Itaim Bibi (zona oeste de São Paulo) e indiciado por roubo e tentativa de roubo. No mesmo dia, passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e, na madrugada de sábado foi levado ao 91º Distrito Policial –onde fica a carceragem provisória para os detidos durante a noite, finais de semana e feriados.

Para o pai do lutador, além de o médico ter ministrado uma super dosagem de medicamentos, o delegado que estava de plantão no 91º DP, permitiu que ele fosse medicado na cadeia, enquanto deveria ter sido encaminhado a um hospital, devido ao seu quadro de agitação.

“O que o médico fez foi uma violência. Ele não poderia ter entrado na delegacia e medicado meu filho daquela maneira. Metade dos medicamentos que ele forneceu deixaria uma pessoa normal em coma.”

Robson acusa ainda o médico Farias Neto de ter agido sem ética médica ao divulgar o resultado do exame toxicológico de Gracie, no qual detectou o uso de drogas como cocaína e maconha.

No sábado (15), o médico disse que o exame de urina feito por Gracie após a prisão apontou presença de cocaína, maconha e medicamentos. O exame foi feito no distrito com um kit importado trazido pelo próprio psiquiatra, pois a dependência química seria usada pela defesa do lutador, segundo o psiquiatra.

Farias Neto disse ter ministrado, na madrugada de ontem, ao menos seis tipos de medicamentos ao lutador –tranqüilizantes, antipsicóticos e contra hipertensão. Gracie, que estava sozinho na cela, foi encontrado morto por volta das 8h.

A família afirma que o roubo do carro e a tentativa de roubo de moto, antes da prisão do lutador, foi decorrente de uma crise de Gracie, que sofria de síndrome do pânico.

Há também base para mover um processo contra o Estado por parte da atitude do delegado, que permitiu o lutador ser medicado dentro da cadeia, segundo Robson. “Se o preso está passando mal, o delegado não poderia deixar que um médico entrasse na prisão e medicasse o preso, sem levá-lo a um hospital. Houve negligência, pois o preso estava sob tutela do Estado.”

A família de Gracie está esperando o resultado do laudo do IML para entrar na Justiça.

Outro lado

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, não há nenhuma disposição legal que proíba o preso de receber tratamento de seu médico particular na prisão.

A Folha Online telefonou para o médico em sua clínica, em Atibaia, mas funcionários do local informaram que ele não podia atender a ligação.

Investigações

A Polícia Civil afirmou no sábado (15) que vai investigar se o uso de drogas e medicamentos teriam provocado a morte de Gracie.

O laudo necroscópico deve ficar pronto em 30 dias, segundo a Secretaria da Segurança Pública.

O Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana) questionou o procedimento da polícia de permitir que um médico acompanhasse o lutador de jiu-jitsu nas dependências da delegacia.

Funcionários do IML dizem acreditar que a causa da morte não esteja relacionada nem com a medicação fornecida pelo médico nem com a lesão na cabeça –o lutador foi atingido ao ser rendido por motoboys, após o roubo do carro. Para eles, o lutador teria sido vítima de uma parada cardiorespiratória causada por overdose de cocaína.

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