A filha do ex-presidente João Goulart, Denise Fontella Goulart, e dois filhos do ex-governador Leonel Brizola, João Otávio Goulart Brizola e Neusa Maria Goulart Brizola, ingressaram anteontem com pedidos individuais de reparação econômica junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, por perdas e danos ocorridos quando seus pais precisaram se refugiar no Uruguai após o golpe de 64. O advogado Gilmar Stelo anunciou ontem em Porto Alegre que, até o fim do mês, ingressará com uma nova ação, em nome do espólio de Brizola.
“O requerente foi obrigado, juntamente com seus familiares, a sacrificar seus sonhos e sua vida no Brasil, inclusive aquela do exercício profissional e ficou obrigado a ficar mudando de país, temendo a Operação Condor”, afirmou Stelo na petição em nome de João Otávio.
A indenização máxima prevista pela Lei da Anistia é de R$ 100 mil por pessoa, valor pleiteado individualmente para Denise, João Otávio e Neusa. Segundo o advogado, terá posteriormente uma destinação social, com a doação a alguma instituição educacional, “que sempre foi uma bandeira de João Goulart e Leonel Brizola”, destacou Stelo.
“Fomos execrados. Saímos do céu para o inferno”
Em entrevista por telefone, João Otávio não mencionou a intenção de doar o dinheiro, mas disse que seu pai sempre os incentivou a reivindicar esses direitos. Ao ser perguntado sobre a afirmação do advogado, confirmou que “parte do dinheiro será doada para caridade”.
— Tivemos que sair do Brasil numa situação de violência e ficar dez anos fora. Meu pai tinha virado o inimigo público número um. Fomos execrados publicamente. Saímos do céu para o inferno — disse João Otávio, que vive entre o Rio e o Uruguai, onde toma conta da fazenda da família, a Santo Antonio.
Ele comentou a aprovação na Comissão da Anistia do primeiro caso de indenização para filhos de militantes vítimas das ações da ditadura militar.
— Tem gente no Brasil recebendo milhões do governo e não passou nem um décimo do que nós passamos — disse.