A partir desta segunda-feira (18), a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), ligada à Universidade de Brasília (UnB), passa a ser administrada pelo interventor Luiz Augusto Souza Fróes.
Desde o sábado passado (16), por determinação da desembargadora Nídia Correa Lima, cinco diretores estão afastados da fundação. Ela acatou o pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e considerou que a Finatec “vem praticando inúmeras irregularidades em contratos celebrados com o poder público mediante dispensa de licitação e aplicando irregularmente recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento científico e à pesquisa”.
Gastos
Segundo o Ministério Público, entre os gastos da Finatec estão o carro do reitor da UnB, Timothy Mulholland, no valor de R$ 72 mil, e objetos de decoração para o apartamento funcional dele, na ordem de R$ 470 mil.
O afastamento definitivo dos diretores da fundação precisa ser julgado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), mas não há data para a decisão. Na próxima quarta-feira (20), a Associação dos Docentes da UnB fará uma assembléia. Os professores defendem o afastamento do reitor da universidade, Timothy Mulholland, embora não tenham poderes para retirá-lo do cargo.
Policiamento
A sede da Finatec passou o último domingo (17) sem nenhum policiamento. A Polícia Militar decidiu retirar o plantão porque entendeu que não houve determinação judicial para que policiais se fixassem no local. No sábado (16), vários PMs cercaram o prédio a pedido do Ministério Público.
O capitão da PM, Jefferson de Castro, garantiu que a ordem dos promotores era não deixar ninguém entrar. “O ofício do Ministério Público solicita que o comandante-geral faça policiamento extensivo no prédio para que nenhum material seja retirado do prédio. Não pode entrar ninguém. Só o promotor tem acesso”, afirmou.
O advogado da Finatec, Francisco Caputo Neto, considerou a medida arbitrária. “É uma arbitrariedade, um abuso de direito. Em momento algum foi determinado o lacre do edifício e que fosse impedido o acesso dos funcionários ou dos diretores às dependências da Finatec”, argumentou o advogado, que foi à porta da fundação para protestar.
Os promotores que pediram o patrulhamento no prédio alegaram que foram mal interpretados pela polícia. Eles informaram em nota que o uso da força policial foi apenas para assegurar que nenhum documento desapareça. Eles afirmaram ainda que não havia qualquer proibição para entrar ou sair da Finatec.