A Justiça decretou nesta semana a prisão temporária de seis policiais militares acusados de envolvimento na chacina ocorrida na Baixada Fluminense, na noite da última quinta-feira. Havia mandados de prisão solicitados pela Polícia Federal contra quatro deles e outros dois estavam detidos administrativamente em batalhões da Polícia Militar.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Rio, Júlio César Amaral de Paula e Carlos Jorge de Carvalho estão lotados no 20º Batalhão (Mesquita), e Fabiano Gonçalves Lopes, José Augusto Moreira Felipe, Ivonei de Souza e Maurício José da Mota Montesano, no 24º Batalhão (Queimados).
Outros cinco PMs continuam detidos administrativamente. O grupo pode ser libertado amanhã, quando expira o prazo máximo da medida. Foram solicitadas as prisões de oito acusados, mas a Justiça recusou dois dos pedidos.
O crime ocorreu nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. No total, 30 pessoas morreram.
Com exceção do soldado Carlos Jorge Carvalho, os PMs devem continuar presos em batalhões regulares. Ainda segundo a secretaria, Carvalho foi encaminhado para o Batalhão Especial Prisional, uma unidade prisional exclusiva para policiais, pois também é suspeito de furtar carros.
Na casa dele foi encontrado um veículo com chassi adulterado e placas clonadas. Uma testemunha reconheceu Carvalho como o único dos quatro homens diretamente envolvidos na chacina que não usava capuz.
Proteção
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Geraldo Moreira (PSB), pediu proteção para 18 pessoas –entre elas quatro adultos que testemunharam a chacina.
Moreira afirma que as testemunhas, que moram em Queimados, estão sendo intimidadas para deixarem suas casas. Segundo ele, as ameaças são feitas por telefone e pessoalmente, por pessoas não identificadas.
Segundo a assessoria da Assembléia, das 18 pessoas protegidas, quatro são adultos e 14 são crianças e jovens, com idades entre 4 e 16 anos.
Indenização
A governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), disse na segunda-feira que irá determinar o pagamento de pensões no valor de um a três salários mínimos para familiares das vítimas da chacina.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o governo estadual designou o secretário de Direitos Humanos, Jorge da Silva, para entrar em contato com os beneficiados e tomar as “providências necessárias”.
Violência
Das 30 pessoas mortas, sete tinham menos de 18 anos. Em Nova Iguaçu, 18 pessoas foram mortas, entre elas, mulheres e crianças. Em Queimados, 12 morreram.
Uma força-tarefa envolvendo a Polícia Federal e a polícia estadual atuará no combate a grupos de extermínio no Rio.