seu conteúdo no nosso portal

Ministérios driblam a lei na contratação sem concurso público

Ministérios driblam a lei na contratação sem concurso público

Ministérios do governo Lula arranjaram uma forma de burlar a lei que obriga a contratação de pessoal por concurso público, abrindo brechas para acomodação de apadrinhados políticos. Sob o argumento da inexistência de um plano de cargos e salários de algumas categorias funcionais - como consultores internacionais, secretária, assistente administrativo e até telefonistas - terceirizam a mão-de-obra e, em muitos casos, indicam às empresas, contratadas por pregão, funcionários para compor os seus quadros.

Ministérios do governo Lula arranjaram uma forma de burlar a lei que obriga a contratação de pessoal por concurso público, abrindo brechas para acomodação de apadrinhados políticos. Sob o argumento da inexistência de um plano de cargos e salários de algumas categorias funcionais – como consultores internacionais, secretária, assistente administrativo e até telefonistas – terceirizam a mão-de-obra e, em muitos casos, indicam às empresas, contratadas por pregão, funcionários para compor os seus quadros.

A prática, que ocorria também no governo do PSDB, tem merecido acompanhamento especial de Ministério Público Federal, Controladoria-Geral (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU). No início do mês, a CGU pediu para que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), rescindisse o contrato de consultores internacionais que trabalhavam num projeto de cooperação técnica em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Os consultores foram admitidos mediante contrato de trabalho formalizado com o IICA, numa seleção que envolveu apenas análise de currículo e entrevista, em julho de 2003, mesmo mês em que foi promovido concurso público com a finalidade de preencher os mesmos cargos. Nenhum dos selecionados no concurso foi aproveitado. O objetivo do projeto em curso é de aprimorar os processos de consolidação de assentamentos da reforma agrária.

No fim do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação contra a terceirização de 84 cargos no Ministério do Turismo. O MPF pediu a anulação do contrato celebrado entre o órgão e a empresa Conservo Brasília Serviços Gerais Ltda. Os procuradores da República José Alfredo de Paula Silva e Luciano Sampaio Gomes Rolim consideraram irregular a contratação de uma empresa para execução de serviços que deveriam ser desempenhados por servidores concursados. Houve suspeitas de que os funcionários contratados teriam sido indicados pelo próprio ministério.

A Conservo Brasília Serviços Gerais Ltda é fornecedora de mão-de-obra para quase toda Esplanada dos Ministérios. Está em vigor, por exemplo, um contrato com o Ministério dos Esportes. Conforme revelaram ao JB funcionários ligados ao departamento de pessoal do ministério, boa parte dos 204 funcionários contratados pela empresa para exercer a função de auxiliar administrativo, secretariado e técnico em telefonia, são indicações políticas do alto escalão do Esporte.

O próprio contrato celebrado entre a Conservo e o ministério dos Esportes, ao qual o JB teve acesso, dá margem à prática. A cláusula quarta, que estabelece as obrigações da contratada prevê a substituição de qualquer profissional ”sempre que exigido pelo ministério do Esporte”. A contratada, acrescenta, deve ”atender de imediato as solicitações quanto às substituições da mão-de-obra”.

– O que o JB tem a ver com isso? Tenho informações restritas ao órgão que não posso passar pelo telefone – disse Jorge Sérgio Carvalho do Santos, um dos gestores do contrato, negando, em seguida, qualquer forma de ingerência do ministério na escolha dos contratados.

Ano passado, a Conservo recebeu, apenas desse ministério, R$ 5,2 milhões. Este ano já foram pagos cerca de R$ 2,7 milhões, segundo consulta ao Sistema de Acompanhamento Financeiro do Governo Federal (Siafi). O subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração, no ministério desde 2003, José Lincoln Daemon, também é um dos responsáveis pelo contrato com a Conservo.

Lincoln ocupou o mesmo cargo no Ministério do Desenvolvimento até setembro de 2001, chegando a ser citado no acórdão do TCU nº 1558/03, de 20 de outubro. Na ocasião, aquela corte investigou ocorrência semelhante: contratação e fornecimento de mão-de-obra, só que por uma empresa de informática. E verificou a ”ingerência do ministério na indicação dos funcionários” terceirizados.

O tribunal condena a atitude, mas diz não ser possível nomear os responsáveis pelos encaminhamentos dos currículos, que eram efetuados de maneira informal.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico