O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, José Antônio Vidal Coelho, determinou a instauração de sindicância para apurar denúncias de que pode ter havido fraude no concurso para juiz substituto realizado no ano passado. A fraude teria a participação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina, que também é investigado na Operação Furacão, desencadeada pela Polícia Federal. A denúncia foi feita pela revista Veja, ao publicar trechos de suposto diálogo telefônico entre Medina e seu genro, o advogado mineiro Leonardo Bechara Stancioli, um dos aprovados.
Na conversa, que constaria do inquérito da Operação Furacão, Medina teria dito a Stancioli que um esquema estava montado. Ele disse que poderia conseguir que a sustentação oral no concurso fosse feita por outra pessoa, mesmo porque os integrantes da banca já estavam informados sobre seu genro. A missão está cumprida, viu, Léo? encerrou o desembargador. O resultado do concurso foi divulgado em 28 de novembro e homologado em 11 de dezembro, com a aprovação de 22 pessoas. Stancioli é o 17º e ainda aguarda o chamado para tomar posse. Na semana passada, o 13º. colocado foi empossado.
O presidente do TJ determinou, ainda, que seja realizado exame grafotécnico nas fichas e provas do concurso. O pedido para sindicância foi feito pela Comissão de Concursos para ingresso à carreira de magistrado. A regional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou uma nota manifestando preocupação com a notícia de possível fraude no concurso para juiz. A denúncia é grave e deve ser investigada, pediu o presidente da entidade, Alberto de Paula Machado.