seu conteúdo no nosso portal

Procuradoria de MT vai à Justiça contra obra do PAC

Procuradoria de MT vai à Justiça contra obra do PAC

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá, que nem saíram do papel, já estão sob suspeita do Ministério Público Federal e podem ser embargadas.

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá, que nem saíram do papel, já estão sob suspeita do Ministério Público Federal e podem ser embargadas. A Procuradoria da República entro com ação civil na Justiça Federal, alegando ter identificado “irregularidades e vícios insanáveis, restrições que prejudicam a competitividade” em dois editais de licitação para saneamento básico.

A procuradoria pediu liminar para bloquear os recursos de execução do PAC e que a União se abstenha de realizar novos depósitos ou transferências. Também quer que a Prefeitura de Cuiabá suspenda as duas licitações do empreendimento, orçado em R$ 299,14 milhões. A maior parte do valor – R$ 246,14 milhões – será financiada pelo Ministério das Cidades, O dinheiro é repassado à prefeitura via Caixa Econômica Federal. A ação foi distribuída para a 5ª Vara Federal, mas ainda não há decisão.

As obras foram anunciadas pelo presidente Lula, que se deslocou em fins de julho até Mato Grosso, acompanhado dos ministros Márcio Fortes (Cidades) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Na ocasião, Lula enfatizou que só 23% de Cuiabá e adjacências dispunham de rede de esgoto. O PAC, afirmou, permitirá que esse índice pule para 70%.

As suspeitas surgiram a partir de denúncia de uma construtora que questionou os editais das concorrências 01/2007 e 02/2007, sob responsabilidade da prefeitura. A procuradoria identificou pelo menos sete situações que colocariam o PAC de Cuiabá em xeque.

EXIGÊNCIAS

Um item é a “cumulação ilegal de exigências de qualificação”. Os editais impõem que as licitantes, para demonstrar capacidade econômico-financeira, apresentem, cumulativamente, capital social mínimo e garantia de proposta. “É flagrantemente ilícito”, afirmou o procurador Thiago Lemes de Andrade. Ele contesta a exigência de que as concorrentes sejam detentoras de certificado oficial do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat. “A regra é excessiva.”

Andrade reporta-se à manifestação do ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), que concedeu medida cautelar para suspender a concorrência 01/2007. A jurisprudência do TCU, anotou o ministro, “tem considerado ilegal a exigência da apresentação (do certificado oficial) como requisito de habilitação em procedimentos licitatórios”.

O ministro Fortes disse, por meio da assessoria, que a Caixa é responsável por operar os contratos do PAC com as prefeituras e governos estaduais. O banco cobra do ministério uma taxa de administração para acompanhar o processo. Segundo a equipe de Fortes, isso ajuda a evitar fraudes, pois os repasses só são executados depois do cumprimento de uma série de exigências.

José Antônio Rosa, procurador-geral de Cuiabá e presidente da Companhia de Saneamento da capital, refutou as suspeitas. “A maior preocupação é com a lisura dos certames. Não há irregularidades.” Ele disse que o prefeito Wilson Santos (PSDB) determinou a criação de um comitê popular de acompanhamento das obras.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico