Se alguma palavra me cabe proferir, neste momento, é de tão somente afirmar que é uma honra ser advogado. Na verdade, eu sempre acreditei no direito e nos valores humanos, pois o direito não pode ser visto apenas como meio de dominação da sociedade, mas sim como signo de libertação e garantia da expressão máxima das liberdades púbicas.
O galardão de exercer a advocacia acarreta em “nascimentos” de laços de afeto, atenção e cuidado com cada causa defendida, com cada cliente que nos apresenta e principalmente com a dignidade da pessoa humana.
O certo é que o advogado está sempre presente num combate generoso, uma vez que possui a responsabilidade de ter em suas mãos vidas humanas, bens, patrimônios e o mais significativo de tudo: a liberdade, porque, afinal, o ser humano é o centro de tudo. Nada importa a não ser o seu bem-estar.
Sabe-se que é desafiante estabelecer profissionalmente em uma sociedade que a cada ano forja milhares de advogados. É inquestionável que o nosso país é fértil na produção de advogados, porém, uma outra evidência há, ainda maior: o nosso país é ainda mais fértil e ainda mais produtivo na produção de injustiças de toda sorte.
Vivemos num mundo conturbado pela discórdia, pela intolerância, pelo materialismo e pela violência. O homem produz cada vez mais e, perpétuo esfomeado, lança-se sobres esses bens sem nunca sentir-se saciado. Infernal círculo vicioso, onde as necessidades crescem mais depressa do que nascem as próprias coisas.
A cada dia aumenta mais a odiosa e contrastante coexistência da miséria da grande maioria em relação à riqueza excessiva de pequeno grupo de privilegiados.
E como advogados não podemos nos omitir em colaborar na reestruturação da vida nacional. O advogado deve advogar sempre preocupado com o progresso social, econômico e ético do país. Fixar os seus olhos onde houver injustiça social, onde a constituição for desobedecida. Onde houver homens sem-terra, sem-teto, sem-saúde, sem-direitos. Onde houver o arbítrio fiscal, onde as minorias forem amordaçadas.
A dignidade da vida humana, os direitos existenciais, os valores da liberdade, da igualdade, devem ser intocáveis, incorruptíveis e, quando importunados ou violados, devem ser defendidos pelos que exercem a advocacia.
É evidente, portanto, que a nossa responsabilidade é muito mais que papéis, que processos. A nossa responsabilidade como advogados é com vidas humanas, bens, patrimônios e liberdade.
O advogado patrocina, na verdade, os interesses de outrem, aconselhando-o, respondendo de direito e utilizando de seus conhecimentos jurídicos para faze-lo livre das importunações ou ameaças que o perturbe.
Por isso as palavras, por mim escritas, são sinceras e ditas com o propósito de expressar todo o meu sentimento de admiração e reconhecimento pelos que fazem dessa profissão a sua paixão.