Márcio José de Brito Moreira, um rapaz de 27 anos que ficou paraplégico aos 20, depois de ser atingido por um tiro disparado por um policial militar, conseguiu uma grande vitória na Justiça: o Estado foi condenado a lhe pagar R$ 1 milhão de indenização por danos morais e materiais, além de uma pensão vitalícia de R$ 800.
Moreira, que é de uma família de classe média alta da Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste do Rio, foi baleado em 1997. Ele estava em seu automóvel, na Abolição, no subúrbio, onde fica a empresa de engenharia de seu pai, quando foi abordado por dois assaltantes.
Os bandidos entraram no carro e colocaram o então estudante universitário, que havia acabado de sacar dinheiro de uma agência bancária, no banco do carona. Um deles assumiu a direção. Quando o veículo passou por PMs, houve troca de tiros. Um disparo acertou a coluna vertebral de Moreira. Só depois que ele foi socorrido é que foi descoberto que se tratava de uma vítima de assalto.
A bala ficou alojada na coluna vertebral do rapaz, que perdeu os movimentos da cintura para baixo. Ele entrou na Justiça e ganhou a causa na última quarta-feira, passados oito anos do crime. A 17ª Câmara Cível do Rio entendeu que a responsabilidade foi do Estado, já que a bala foi disparada por seus agentes. A indenização foi fixada com base na gravidade do caso. O Estado ainda poderá recorrer.
Para o advogado Alexandre Sigmaringa Seixas, que atuou na defesa junto com o advogado Ricardo Junqueira de Andrade, o episódio mostra a falta de preparo da polícia do Rio. “Os policiais não se deram conta de que poderia haver um inocente dentro do carro, simplesmente atiraram”, afirmou. O valor da indenização ainda deverá ser corrigido por conta dos juros acumulados de 1997 até então.
Moreira estudava engenharia e trabalhava como estagiário. Ele estava na Abolição porque havia ido a uma agência bancária perto da firma do pai. O rapaz não foi encontrado para comentar o assunto. A mãe dele disse que ainda não havia sido informada da decisão judicial.