A rede de supermercados Big foi condenada a pagar R$ 25 mil de indenização por danos morais a uma adolescente de 16 anos, vítima de comportamento racista de uma operadora de caixa de uma das lojas de Curitiba (PR).
O caso foi há três anos, quando a adolescente tinha 13 anos. Segundo o processo, a adolescente esperava sua vez na fila quando foi avisada pela operadora de que o caixa fechara. Quando a menina saiu, a operadora continuou a atender outros clientes.
A mãe da adolescente, que estava na fila ao lado, perguntou à operadora se o caixa havia fechado apenas para a menina por ela ser negra. A operadora respondeu: “Talvez”. A mãe protestou e deixou o supermercado rapidamente.
”A mãe relutou muito em prosseguir com a ação, tentando preservar a filha de mais discriminação”, disse o advogado que representa a adolescente, Nivaldo Migliozzi. Ele disse que também tentou processar a caixa por crime de racismo, mas que o Big não forneceu a identificação da funcionária.
O fato ocorreu em dezembro de 2003, em uma loja do bairro Portão, na zona sul de Curitiba. Segundo Migliozzi, o testemunho de uma cliente do supermercado que presenciou o episódio foi fundamental para que a juíza da 12ª Vara Cível de Curitiba Temis Côrtes decidisse em favor da menina.
O advogado disse ontem que considerou a indenização baixa e que vai recorrer da decisão. ”Para uma indenização de aspecto moral, o que se espera é um valor punitivo. O estipulado não dói na contabilidade do Big”, afirmou. Segundo ele, o prejuízo psicológico para a menina foi grande.
Outro lado
Em nota, a rede de supermercados americana Wal-Mart, atual dona da rede Big, informou que recorrerá da condenação.
A rede disse que orienta seus colaboradores a respeitar diversidades culturais, raciais e religiosas e que não admite prática contrária a essa orientação. O recurso ao Tribunal de Justiça do Paraná tentará provar que essa postura é respeitada na empresa.