Uma liminar concedida ontem pela juíza federal titular de Angra dos Reis, Monique Calmon de Almeida Biochini, determina que o Ibama devolva ao empresário Márcio Luiz Gouveia de Oliveira, de 58 anos, as duas araras-azuis que ele mantinha na reserva biológica particular da Ilha do Breu, na Baía de Paraty. As araras, que motivaram uma perseguição cinematográfica na rodovia Rio-Santos em 12 de fevereiro, foram entregues dois dias depois ao Ibama, que as enviou a um criador credenciado em Guaratiba para cumprir um período de quarentena, até serem devolvidas ao seu habitat, no Pantanal matogrossense.
No dia da operação, o carro de Márcio foi perseguido por dois helicópteros — um do Ibama e outro da Polícia Rodoviária Federal — ao longo de 40 quilômetros da Rio-Santos, pois os fiscais suspeitavam que ele estivesse fugindo com as araras, que não tinham sido encontradas na Ilha do Breu. O empresário foi detido e obrigado a prestar declarações. O gerente-executivo do Ibama no Rio, Rogério Rocco, disse que o órgão vai recorrer da decisão judicial.
— Ele mentiu para a juíza. Disse que as araras-azuis não eram dele e que elas viviam livres na região, indo procurar sua ilha. Demos prazo de 48 horas para ele devolver as araras e ele não cumpriu — disse Rocco.
Apesar da decisão da juíza sobre as araras, o Ibama manteve as multas aplicadas ao dono da Ilha do Breu, que fica em frente à Praia de Tarituba, a 34 quilômetros de Paraty. Por ter ampliado o tamanho da ilha assentando deques de madeira sobre colunas fincadas no mar, Márcio pagará R$ 50 mil. Outra multa, de R$ 2 mil, foi aplicada por causa de dois macacos bugios encontrados na ilha e apreendidos. Se o Ibama conseguir derrubar a liminar obtida por Márcio na Justiça, o empresário também será multado pela posse das araras.