O Alto Tribunal de Londres autorizou, nesta quarta-feira, que uma mulher de 53 anos, em estado vegetativo persistente, morra com “dignidade”, após uma última tentativa frustrada de acordá-la.
Em novembro, o juiz Potter ordenou que fosse ministrado por três dias seguidos zolpidem, um medicamento que em certos casos pode despertar pessoas em estado vegetativo.
Esta decisão foi tomada contra a opinião da família, depois de saber que esse medicamento oferecia uma “luz de esperança” à mulher, que sofreu uma hemorragia cerebral em agosto de 2003 e, desde então, não recuperou a consciência.
O medicamento não causou nenhuma melhora na paciente, mãe de dois filhos, motivo pelo qual o juiz autorizou hoje que os médicos paralisassem qualquer tratamento que a mantivesse artificialmente com vida.
Após esta sentença, a equipe médica deverá garantir apenas que “ela sofra o mínimo possível e conserve toda sua dignidade até que sua vida chegue ao fim”.
Itália
A ministra italiana do Comércio Exterior, Emma Bonino, iniciou nessa segunda-feira (4) uma greve de fome de dois dias para apoiar o pedido de Piergiorgio Welby, 60, doente terminal de distrofia muscular, que pede há vários meses pelo direito de morrer.
Welby, presidente de uma associação de defesa dos doentes, fez um apelo público, divulgado em setembro por uma emissora de televisão, que dividiu a Itália diante da possibilidade de legalização da eutanásia.
No vídeo, Welby, que está prostrado em uma cama há 40 anos sem poder se mover ou falar, pede ao presidente da República, Giorgio Napolitano, o direito de pôr fim à sua vida.
Em 1º de dezembro passado, os advogados de Piergiorgio Welby apresentaram perante o tribunal civil de Roma um “recurso urgente” para que fosse retirado o respirador artificial que o mantém vivo.
“Entendo contribuir pessoalmente para a campanha não-violenta iniciada pela Associação Coscioni a favor do pedido de Piergiorgio Welby com dois dias de greve de fome”, anunciou Bonino em um comunicado.
Há uma semana, oito pessoas iniciaram uma greve de fome para apoiar o direito de Welby de morrer e defender a eutanásia, considerada pela lei um crime punido com a prisão.
“Não encontramos médicos dispostos a praticar a eutanásia”, reconheceu um dos grevistas, Marco Cappato, secretário da associação que apóia Welby.
Como o espanhol Ramón Sampedro, cuja história foi apresentada no filme ‘Mar Adentro’, de Alejandro Amenábar, Welby pede, mais que uma permissão pessoal, uma discussão nacional para que a eutanásia seja legalizada.
A Igreja Católica está entre os primeiros que reagiram para manifestar sua oposição a qualquer forma de eutanásia.