O medicamento falso Glivec 400 mg do lote Z0047 pode levar à morte alertam especialistas. O remédio é usado para prolongar a vida de portadores de leucemia. Na última terça-feira, a Operação Placebo da Polícia Federal da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Patrimônio (DELEPAT) tentou aprender o medicamento falso com o objetivo de impedir que mais usuários tomassem o remédio. Nenhuma caixa de Glivec falso foi encontrada no Rio. Já em Porto Alegre os fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Vigilância estadual apreenderam duas caixas de Glivec falsificado que eram comercializado por uma distribuidora da capital.
Por medida da precaução a Anvisa determinou a suspensão do comércio e uso, em todo país, do lote Z0047 do medicamento Glivec, fabricado em janeiro deste ano com validade até dezembro de 2008.
O Glivec é um medicamento conhecido como “inibidor de proteína” utilizado no tratamento de pacientes adultos com leucemia mielóide crônica (LMC), na fase inicial da doença. O remédio também é indicado para o tratamento de pacientes adultos com tumores estromais gastrintestinais (GIST) malignos, não-ressecáveis e ou metastáticos, ou seja, quando a doença já se encontra em estágio avançado.
– É um crime hediondo, porque o consumo de remédio falso, principalmente para pacientes com leucemia, pode levar á morte. Quando não leva a morte, pode criar resistências e provocar mutações graves nas doenças dos pacientes – destaca o Presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia (SBHH), doutor Carlos Chiattone.
Por isso, o paciente ou o cliente que tenha em mãos o produto do referido lote podem diferenciar o produto original do falsificado de duas maneiras, segundo informações da Anvisa.
A primeira é pelo “Raspe Aqui”. Todas as caixas de medicamentos Novartis tem um espaço “Raspe Aqui” para a comprovação da origem e qualidade do medicamento. É necessário raspar com um material metálico – como por exemplo uma moeda – no local indicado na lateral da embalagem. Ao rapar , aparecerá a inscrição “Qualidade Novartis”, o que certifica que o medicamento é original. Atente que as caixas dos Glivec falsificado não apresentam esta inscrição.
A segunda forma de identificação é pelo comprimido. Cada comprimido Glivec tem uma gravação que valida sua fabricação pela Novartis. De um lado está gravada a sigla NVR, e do outro a sigla SL. Os comprimidos falsificados não possuem as siglas.
A Agência recomenda ao paciente que, em caso de utilização ou suspeita de uso do lote em processo de recolhimento, o mesmo procure imediatamente o médico ou um profissional de saúde para procedimentos de (re)avaliação do quadro clínico. O paciente também deve providenciar a troca do Glivec falso pelo medicamento de outro lote.
Tais medidas acima relacionadas em conjunto com as ações de combate aos remédios adulterados e falsificados da Policia Federal (PF) são de extrema importância e podem significar a preservação de muitas vidas de pacientes com leucemia – avalia o hematologista Nelson Hamerschlak, coordenador do estudo que resultou na aprovação do Glivec para comercialização no Brasil.
– Em última instância, a doença pode voltar e progredir para uma fase mais crônica, o que representará risco de vida a esse paciente. Tanto na fase inicial ou crõnica, é importante procurar o médico, que saberá a melhor forma de proceder – acrescenta Hamerschlak.
Profissionais de saúde também devem verificar atentamente se os medicamentos adquiridos pertencem ao lote com problemas. Os pacientes que ainda possuem o produto – como também os profissionais de saúde – devem entrar em contato com o Serviço de Informação ao Cliente (SIC) da empresa Novartis, pelo telefone 0800-888-3003.
A adulteração e falsificação de produtos para fins terapêuticos ou medicinais são consideradas crimes hediondos contra a saúde pública. As denúncias podem ser feitas á Ouvidoria da Anvisa pelo endereço eletrônico ouvidoria@anvisa.gov.br.
O Glivec está na lista de medicamentos de alto custo e é distribuído pelo Governo. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio, o Glivec não se encontra na lista de 12 medicamentos comprados este ano da empresa Nova Vitória – interditada esta semana pela PF, por suspeita de estar vendendo lote falso deste remédio.