O presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Sergipe, Henri Clay Andrade, defendeu hoje (19) a utilização do voto direto, secreto e consciente como forma de fazer valer a democracia nas próximas eleições. “Acredito que temos que procurar quem melhor possa nos representar ou quem menos pior possa nos representar. Quanto mais consciente estivermos quanto ao voto, mais a democracia estará viva”, afirmou Henri Clay, criticando a ausência de mudanças na legislação eleitoral como forma de inibir as irregularidades e uso de caixa dois de campanhas para as próximas eleições.
Questionado se acredita que o brasileiro irá votar com mais consciência no próximo pleito, o presidente da OAB sergipana afirmou que as próximas eleições são, para ele, uma grande incógnita. Henri Clay Andrade acredita que o brasileiro levou um susto com essa nova crise, mas saiu calado, mesmo depois de tomar conhecimento de graves irregularidades envolvendo membros do governo e do Congresso Nacional. “Não houve uma manifestação de massa nas ruas. Sua indignação só irá se refletir nas urnas. Pelo menos, é no que creio e o que espero”.
O esclarecimento quanto à importância de votar consciente nas próximas eleições deve ser feito, na opinião do presidente da OAB-SE, pela parceria histórica entre OAB e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Henri Clay destacou a importância da Campanha Nacional contra a Corrupção Eleitoral, deflagrada pelas duas entidades no início deste mês, e que irá montar comitês em todo o país para receber denúncias dos eleitores de eventuais irregularidades. “Claro que não temos o poder de inibir as fraudes eleitorais mas, ao menos, podemos denunciar, usando da voz de credibilidade que adquiriram a OAB e a CNBB”, finalizou Henri Clay.
A seguir, a íntegra de entrevista concedida pelo presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade:
P – O senhor acha que o brasileiro vai conseguir votar melhor nas eleições de outubro de 2006?
R – Acho que perdemos uma grande oportunidade, histórica, de mudar estruturalmente o sistema eleitoral brasileiro e não mudamos. Então, os vícios tendem a se repetir. Nós, a sociedade civil, a OAB, CNBB, cidadãos esclarecidos, temos que nos aglutinar e fazer uma frente social de combate à corrupção eleitoral, de fiscalização, de denúncia e, cada vez mais, tentar levar a consciência política, a politização ao cidadão que irá votar. Sou do entendimento de que voto nulo não resolve nada, não leva a lugar nenhum. Acredito que temos que procurar quem melhor possa nos representar ou quem menos pior possa nos representar. Democracia é isso. Não podemos perder o entusiasmo de exercer o ponto máximo da cidadania, que é o exercício do voto, o voto direto, secreto e consciente. Quanto mais consciente estivermos quanto ao nosso voto, mais a democracia estará viva. Mas, sem um sistema eleitoral eficaz, antevejo um processo eleitoral alienante e sem muitas perspectivas de mudança.
P – O senhor acha que o brasileiro já tem mais memória política? Acredita que o povo é capaz de se lembrar, na hora de votar, se o candidato esteve ou não envolvido em denúncias de uso de caixa dois e mensalão?
R – Isso é uma incógnita, na minha opinião. O brasileiro levou um susto. Mais do que um susto, sofreu um trauma. Estamos todos traumatizados com tudo o que vem acontecendo. Só que a nação brasileira está calada. Não houve uma manifestação de massa nas ruas. Quem sabe se essa manifestação se dará por meio do voto, vamos aguardar. Sua indignação só irá se refletir nas urnas. Pelo menos, é no que creio e o que espero.
P – Para finalizar, a OAB lançou juntamente com a CNBB uma campanha em prol da moralidade eleitoral. O senhor acha que a OAB pode ajudar para que, em 2006, tenhamos eleições mais transparentes?
R – Acho que a OAB pode sim contribuir e, de fato, tem contribuído ao longo de sua história para aprofundar o sentido de democracia no país, o debate político e a consciência do cidadão brasileiro. Claro que não temos o poder de inibir as fraudes eleitorais mas, ao menos, podemos denunciar, usando da voz de credibilidade que adquiriram a OAB e a CNBB. Portanto, acho válida esta campanha e a OAB de Sergipe estará reinstalando o seu Comitê de Combate à Corrupção. Também estaremos atentos às tentativas de fraude ou de estelionato político que podem vir a acontecer no Estado de Sergipe nas próximas eleições.