O ex-ministro José Dirceu considerou a decisão do STF uma ”advertência” para o Conselho de Ética. ”O processo deve ser justo e com amplo direito à defesa”, disse, por meio de sua assessoria. O advogado do ex-ministro, José Luiz Oliveira Lima, afirmou que foi restabelecida a legalidade. ”O Conselho tinha cometido um ato da maior gravidade, desrespeitando uma decisão clara do Supremo”, declarou.
Segundo Oliveira Lima, poderá haver nova ação ao Supremo pedindo explicitamente a anulação da votação. Paralelamente a isso haverá um mandado de segurança protestando contra a decisão da Comissão de Constituição e Justiça de recusar a retirada do processo de cassação pelo PTB.
Ao ter a certeza de que a votação no Conselho iria seguir adiante apesar de seus protestos, Oliveira Lima despachou seu auxiliar Rodrigo Dall’Acqua para o Supremo, no meio da sessão do Conselho. Dez minutos antes de proclamado o resultado, um embargo de declaração dava entrada no gabinete do ministro Eros Grau.
A biografia do ex-ministro, ex-líder estudantil e ex-exilado José Dirceu, sempre evocada pelo deputado em sua defesa, foi ontem usada por membros do Conselho de Ética contra ele. ”O que pesa contra Dirceu é sua biografia. Ele é um líder nato, inconteste. E, num passe de mágica, abdica disso e vem dizer que não sabia de nada?, disse Edmar Moreira (PFL-MG).
O ex-petista Chico Alencar (PSOL-RJ) lembrou uma das muitas coincidências da votação de ontem. ”Há três anos chorávamos de alegria pela vitória do presidente Lula. E era o deputado José Dirceu o comandante dessa vitória”, disse, em referência ao 27 de outubro de 2002. Houve ainda quem notasse que Dirceu perdeu por 13 votos, no plenário 13, em resultado anunciado às 13h30min – 13 é o número do PT.