Os advogados de Daniel Dantas pediram para ter acesso à íntegra das gravações da reunião em que o delegado Protógenes Queiroz e a cúpula da Polícia Federal discutiram a condução da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro e mais 16 pessoas suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
A informação é da coluna da Mônica Bergamo, publicada na Folha desta segunda-feira (18). O conteúdo completo da coluna está disponível apenas para assinantes do UOL e do jornal.
O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal de SP, deferiu o pedido dos advogados e já enviou notificação à PF. Os advogados de Dantas também entraram com pedido para que De Sanctis autorize a transferência das investigações contra o banqueiro para o Rio de Janeiro.
A gravação foi registrada por mais de três horas, mas, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram divulgados apenas três minutos do conteúdo da conversa. Na reunião, foram discutidos o afastamento dos delegados responsáveis pelo caso –Protógenes Queiroz, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro.
Oficialmente, a justificativa para a necessidade de haver uma seleção dos trechos é porque o encontro tratou de uma série de temas –inclusive alguns considerados sigilosos pelo governo. Contudo, houve insinuações de que Protógenes teria sofrido pressão para se afastar.
Os rumores sobre o afastamento de Protógenes começaram depois de ele receber críticas sobre a condução de prisões na Operação Satiagraha –especialmente a do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, flagrado de pijamas e algemas no momento de sua prisão.
O caso gerou uma discussão sobre espetacularizações das ações da PF e o uso excessivo de algemas nas operações do tipo.
Na semana passada, o STF (Supremo Tribunal Federal) votou uma súmula que limita ao uso de algemas a casos excepcionais: quando o preso oferecer resistência à prisão ou colocar em perigo o policial ou outras pessoas.