O ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000) sofreu nesta sexta-feira (10) uma crise de hipertensão que obrigou o tribunal supremo a adiar para quarta-feira o processo contra ele por violações aos direitos humanos.
Quando a audiência seria retomada, o médico pessoal de Fujimori informou ao tribunal que o ex-governante sofreu o mal-estar durante o recesso.
Minutos antes, Fujimori tinha rejeitado, em tom exaltado, a acusação da promotoria, que pediu uma pena de 30 anos de prisão e o pagamento de 100 milhões de sóis (US$ 33,3 milhões) por violação dos direitos humanos.
O médico disse que o ex-presidente sofreu a crise de hipertensão por volta das 13h45 hora local (16h45 em Brasília) e, ao ser examinado, estava com pressão de 190 por 100.
O boletim médico descreveu que, além disso, Fujimori apresentou “dor precordial” (no peito), de cabeça e garganta, e lembrou que o paciente “é um hipertenso crônico”.
Após consultar a acusação e a defesa, o juiz César San Martín determinou que a audiência continuará na próxima quarta-feira às 9h30 hora local (12h30 em Brasília).
Ao final da primeira parte da audiência, Fujimori, que tinha escutado a acusação impassível, se exaltou quando San Martín pediu que ele dissesse se aceitava os termos do julgamento.
O ex-presidente disse em tom de voz alto que em 1990 assumiu um país “em colapso”, com inflação alta, em isolamento financeiro internacional e acossado pelo grupo armado Sendero Luminoso.
Também existiam grupos paramilitares como o chamado “Comando Rodrigo Franco”, que – segundo a imprensa peruana – tinha vínculos com o primeiro governo do presidente Alan García (1985-1990), apontou.
Fujimori acrescentou que “com esta situação, com o país sangrando, houve reformas dentro do contexto do respeito aos direitos humanos”.
A alegação do ex-presidente foi interrompida por San Martín, afirmando que o réu tinha de “respeitar a direção do tribunal”.
A Justiça do Peru julga Fujimori pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), nas quais morreram 25 pessoas, e pelos seqüestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer.
A promotoria o acusa de ter planejado, organizado e dirigido as ações, cometidas pelo grupo militar Colina, e pede que ele seja condenado a 30 anos de prisão e a pagar US$ 100 milhões em indenizações.