O Ministério Público (MP) interpôs ontem (11) apelação contra a sentença condenatória do artesão José Vicente Matias, o Corumbá, por considerar que a pena aplicada foi muito branda. Pela segunda vez, ele foi condenado, na terça-feira passada (5), a 23 anos de reclusão pelo homicídio e ocultação de cadáver de Lidiayne Vieira de Melo, ocorridos em 21 de janeiro de 2004. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, que presidiu o julgamento, vai aguardar a juntada das razões do MP e da defesa para encaminhar os autos ao Tribunal de Justiça (TJ), a quem caberá julgar a apelação.
Ao votar os quesitos, os jurados acataram a tese da acusação de que o crime foi praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel (asfixia) e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Pelo homicídio, Jesseir fixou a pena em 21 anos de reclusão somados a mais 2 pela ocultação de cadáver. Além disso, o magistrado estipulou 50 dias-multa, tendo em vista as circunstâncias e a condição financeira do réu.
Caso
De acordo com denúncia do MP, Lidiayne e Corumbá se conheceram um mês antes do crime. Ao se reencontrarem, no dia 19 de janeiro, resolveram, de comum acordo, se dirigirem a um cômodo alugado por ele, na Vila Mutirão II, onde beberam cerveja e fumaram maconha durante toda a noite e no decorrer do dia seguinte. “Ao anoitecer, já nos últimos minutos daquele dia, afirma o denunciado (Corumbá) que recebeu uma ordem sobrenatural para deitar a garota no chão, colocá-la em posição de cruz e cortá-la em tal posição”, relatou o promotor Abrão Amisy Neto, afirmando que, depois de acender velas pela casa, em suposto ritual, o réu se aproveitou da fragilidade física da vítima e de ela ter ingerido bebida alcoólica, e asfixiou Lidiayne, matando-a por estrangulamento.
Em seguida, de acordo ainda com o MP, Corumbá decapitou a vítima e tentou esquartejá-la, não tendo, contudo, alcançado êxito neste ponto. Em seguida, o artesão colocou a cabeça da garota em uma sacola de plástico. Quanto ao restante do corpo, amarrou as mãos e os pés e envolveu-os em uma colcha. Feito isso, acomodou tudo em um carrinho de mão e transportou o corpo da vítima até um matagal localizado nas proximidades, onde deixou a cabeça da menina e, posteriormente, lançou o corpo nas águas do Córrego Fundo.