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Juiz afegão não vai tolerar pressões externas em caso de cristão

Juiz afegão não vai tolerar pressões externas em caso de cristão

O Governo do Afeganistão procura uma saída à grave polêmica criada entre seus aliados ocidentais pelo julgamento - que pode resultar em pena de morte - de um afegão que se converteu ao cristianismo, mas o juiz do caso alertou hoje que não tolerará 'pressões do exterior'.

O Governo do Afeganistão procura uma saída à grave polêmica criada entre seus aliados ocidentais pelo julgamento – que pode resultar em pena de morte – de um afegão que se converteu ao cristianismo, mas o juiz do caso alertou hoje que não tolerará “pressões do exterior”.

Fontes oficiais disseram hoje à EFE que o Gabinete afegão debateu “as possibilidades de encontrar formas para resolver este caso de forma satisfatória para todos”, o que pode significar uma solução rápida para pôr fim à polêmica questão.

Abdul Rahman, um afegão de 41 anos que se converteu ao cristianismo quando tinha 25, foi denunciado por sua própria família e agora enfrenta a possibilidade de ser condenado à pena de morte.

Ele é acusado de apostasia por “rejeitar o Islã”, que no Afeganistão, uma república presidencialista regida pelas leis corânicas, é considerado um crime passível de pena de morte.

O veredicto pode sair na próxima semana, informou hoje à EFE o juiz encarregado do caso, Ansarullah Mawlavizada, do Tribunal Supremo, que avisou que não vai tolerar “interferências” e pediu aos países ocidentais respeito às leis afegãs.

“Qualquer decisão tomada fora dos tribunais sobre seu futuro ou qualquer pressão serão considerados uma interferência em nosso sistema judiciário”, indicou.

“Nenhum julgamento regido por nossas normas pode ser subestimado antes que o tribunal dite a sentença”, apontou o juiz, que se definiu como “responsável frente à Constituição, às leis islâmicas e à população muçulmana de aplicar as leis de uma forma objetiva”.

O caso criou uma forte controvérsia internacional entre os principais aliados ocidentais do Governo afegão, incluindo Estados Unidos, União Européia (UE), Canadá, Itália e Alemanha.

O presidente dos EUA, George W. Bush, intercedeu no caso, enquanto a Alemanha e a Itália insinuaram que poderiam retirar sua ajuda econômica e militar ao Afeganistão se Rahman for executado.

O juiz agradeceu “a ajuda de outros países” para levar a democracia ao Afeganistão, mas acrescentou que o país quer “uma democracia islâmica”. “Pedimos que não haja pressões do exterior”, disse o magistrado, indicando que respeita as leis dos outros países e que espera o mesmo comportamento em relação à legislação islâmica afegã.

“O Ocidente permite o casamento gay, algo que não está de acordo com os direitos humanos, mas apenas em suas leis, e nós respeitamos.

Portanto, a execução é o castigo para um muçulmano que se converteu a outra religião sob nossas leis islâmicas, e pedimos aos outros países que respeitem nossas leis”, disse.

A solução da polêmica é ainda mais complicada porque no Afeganistão a maioria da população apóia a pena de morte no caso. O afegão, no entanto, poderia recorrer a uma declaração de incapacidade mental e à sua nacionalidade alemã, segundo analistas afegãos.

Malawi Abdul Latif, um clérigo da mesquita Khawaja Abdullah Ansari de Cabul, disse hoje à EFE que “todos os clérigos de todas as mesquitas em todo o Afeganistão pediram a Karzai durante a oração de sexta-feira que a Sharia (lei islâmica) seja aplicada e Rahman seja executado”.

“É um insulto a Deus e ao Islã, e os muçulmanos não podem tolerar uma falta de respeito à nossa religião. Se o tribunal, pelas pressões ocidentais, liberá-lo, então a população o matará”, disse Latif, que também é membro do Conselho de Estudantes Islâmicos do Afeganistão.

Cerca de 99% dos aproximadamente 28 milhões de afegãos seguem o Islã.

Abdul Rahman trabalhou como assistente médico nas milícias mujahedin que lutaram contra a invasão soviética do Afeganistão na década de 80 e, posteriormente, trabalhou na Rússia e na Alemanha durante nove anos.

Rahman se converteu ao cristianismo há 16 anos, após trabalhar em uma organização humanitária que ajudava refugiados afegãos no Paquistão. Ele foi detido em fevereiro passado, depois que sua família o denunciou.

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