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Operação navalha: dialeto confunde grampo telefônico

Operação navalha: dialeto confunde grampo telefônico

Em cada um dos 52 depoimentos prestados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ministra Eliana Calmon fez os suspeitos ou colaboradores da Operação Navalha comentarem as gravações e imagens flagradas pela Polícia Federal. Funcionários da Gautama se desdobraram para explicar palavras ou expressões suspeitas. A cada depoimento, o 'dialeto gautamês' ganhava um verbete novo.

Em cada um dos 52 depoimentos prestados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ministra Eliana Calmon fez os suspeitos ou colaboradores da Operação Navalha comentarem as gravações e imagens flagradas pela Polícia Federal. Funcionários da Gautama se desdobraram para explicar palavras ou expressões suspeitas. A cada depoimento, o “dialeto gautamês” ganhava um verbete novo.

Para o gerente da empresa na Bahia, Florêncio Vieira, “pai” significa “escritório”. Diante da ministra, ele tentou explicar um diálogo do dia 21 de março, gravado pela Polícia Federal. Ele conversa com o diretor da Gautama no Maranhão, Vicente Coni, e diz que “está com o parto para ser realizado, que já está com a cria nas mãos e que ele tem que entregar pro pai”. No depoimento, ele não esclarece o que quis dizer com “cria”. Explicou apenas que estava em Salvador e iria a Brasília.

Vicente Coni também tentou explicar uma expressão aparentemente comprometedora, usada por ele durante uma conversa com o dono da Gauatama, Zuleido Veras. Coni, para forçar um pagamento, disse que seria preciso “fabricar notas fiscais” para comprovar os gastos com materiais adquiridos pela Gautama. À ministra, ele afirmou “ter-se referido a fabricar notas fiscais no sentido de reunir as notas fiscais”.

Negócio

Em setembro do ano passado, a secretária da construtora, Tereza Lima, fala em “negócio”. No depoimento, esclarece que negócio, para ela, é um pacote. Mas não soube dizer por que não falou encomenda ou pacote, na conversa com Zuleido e com a diretora da Gautama, Maria de Fátima Palmeira. Ela precisou esclarecer também o que queria dizer ao citar PP, em outro diálogo com Zuleido Veras. PP, disse Tereza, é Pedro Passos. Mas, nas conversas flagradas pelos agentes federais, PP também foi usado para se referir a Paulo Pimentel, subsecretário de Fazenda de Alagoas.

Outras siglas usadas pelos suspeitos presos na Operação Navalha também foram decodificadas por Rodolpho Veras, filho do dono da Gautama. Ele admitiu a possibilidade de JW ser Jaques Wagner, governador da Bahia. Afirmou que ao dizer Mister M referia-se a Marlúcio, assessor da prefeitura de Camaçari, na Bahia.

Para entender os esquemas da quadrilha, a ministra Eliana Calmon e as subprocuradoras da República responsáveis pelo caso vão ser obrigadas a decifrar as siglas, as expressões suspeitas e os verbetes do “dialeto” dos funcionários da Gautama. Investigadores da Polícia Federal avaliam que a estratégia muitas vezes é usada para disfarçar e confundir quando há suspeita de grampo.

Palavreado “gautamês”

Vocabulário inusitado de funcionários e herdeiros da Gautama para explicar à Justiça o conteúdo das gravações da Polícia Federal:

Fabricar notas fiscais — reunir notas fiscais.

Entregar (dinheiro, documento) para o “pai” — entregar (dinheiro, documento) no escritório.

Negócio — pacote.

PP — Pedro Passos (deputado distrital) ou Paulo Pimentel (subsecretário de Fazenda de Alagoas).

Mister M — Marlúcio (assessor da prefeitura de Camaçari, na Bahia)

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