O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu mais um inquérito contra senador. Ontem, o ministro Celso de Mello atendeu à solicitação do Ministério Público Federal e autorizou a abertura de investigação contra o senador Wellington Salgado (foto) (PMDB-MG), um dos maiores aliados do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O parlamentar é suspeito de sonegar mais de R$ 7,7 milhões quando dirigia a Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura (Asoec), entre os anos de 2000 e 2002.
No despacho, o ministro Celso de Mello determina que a Polícia Federal interrogue no prazo de 60 dias o senador, sua mãe, seu pai e dois dos seus irmãos: todos sócios da associação. Esse é o segundo inquérito aberto contra Wellington Salgado pelo Supremo. Na semana passada, a ministra Cármen Lucia autorizou o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a investigar o senador por Minas pela acusação de desvio de mais R$ 4,11 milhões no período de março de 2003 a dezembro de 2005, quando também dirigia a Asoec.
Somadas as duas acusações, Salgado pode ter sonegado cerca de R$ 12 milhões em imposto de renda através da associação. Na justificativa do Ministério Público Federal para o pedido de abertura do inquérito, o procurador-geral cita dados da Receita Federal de Niterói, em que Asoec descontava o imposto de renda de seus funcionários, mas não repassava o dinheiro recolhido ao fisco. A Polícia Federal no Rio já havia aberto inquérito contra o senador, mas por conta do foro privilegiado de Wellington Salgado, adquirido com sua posse no Senado, em julho de 2005, o processo passou a tramitar no STF.
Defesa
O senador afirma que está havendo confusão entre sua atuação política e empresarial. “Estão querendo politizar uma questão empresarial”. Segundo ele, a dívida se deve ao cancelamento da adesão de suas empresas a um programa de refinanciamento do governo federal (Paes) pelo atraso de duas parcelas. “O setor de universidade passa por mudanças. Às vezes surgem dificuldades. Em uma dessas, atrasamos as parcelas e o refinanciamento foi cancelado. Eu não sou sonegador e isso é uma questão puramente empresarial”, justifica.
O inquérito aberto ontem vai engordar a lista de investigações contra senadores. Dados levantados pelo Correio mostram que há no Supremo 18 inquéritos abertos contra 15 dos senadores. Os parlamentares são investigados por crimes que vão desde sonegação fiscal a corrupção ativa. Alguns desses processos já estão em fase de conclusão e, segundo os relatores, até o final do ano deve haver pelo menos dois julgamentos, ambos com possibilidade de condenação.