O desembargador Damião Cogan, da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça paulista, relator do habeas corpus impetrado pela defesa de Suzane von Richthofen, deve apreciar nesta semana o pedido.
Ele não havia recebido até as 19h desta quinta-feira (20/4) as informações solicitadas ao juiz Richard Francisco Chequini, que decretou a prisão da moça. As informações devem ser enviadas hoje (24/4) ao desembargador, segundo a assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).
Na última quinta-feira, último dia de funcionamento regular do Judiciário paulista antes do feriado de Páscoa, o desembargador já havia recebido as informações do delegado José Masi, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), mas ainda aguardava as informações do juiz antes de decidir se concede ou não o habeas corpus pedido na última segunda-feira (17/4) pelos advogados de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira e Mário de Oliveira Filho.
Suzane está presa desde a noite de segunda-feira retrasada, 10 de abril, quando foi decretada sua preventiva. Após passar pelo 89º DP (Portal do Morumbi), onde se entregou, pelo DHPP, no centro de São Paulo, onde passou a primeira noite, e pelo Presídio Feminino de Sant´Ana, no Complexo do Carandiru, zona norte da capital, onde passou dois dias, ela está agora no Centro de Ressocialização de Rio Claro (interior de SP).
A moça é ré confessa do assassinato de seus pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em outubro de 2002, ao lado de seu namorado à época, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian. Os dois também estão presos preventivamente.
No final de junho do ano passado, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) havia concedido um habeas corpus a Suzane, que depois chegou a ser estendido aos irmãos Cravinhos. A liberdade dos dois durou menos: em janeiro eles voltaram para a cadeia a pedido do Ministério Público após terem concedido uma entrevista à rádio Jovem Pan. O promotor Roberto Tardelli disse à época que Daniel Cravinhos parecia “orgulhar-se de seu talento para dissimular sua intenção homicida”. A defesa de Cravinhos tenta obter a liberdade dos irmãos por meio de uma ação de habeas corpus, que está sendo analisado pelo juiz Chequini, o mesmo que decretou a nova preventiva de Suzane.
Ela também voltou à cadeia após a entrevista concedida ao programa Fantástico, da Rede Globo, que foi interpretada pelo juiz Chequini como “clara intenção de criar fatos e situações novas, modificando, indevidamente, o panorama processual”.
Ao decretar a prisão, também a pedido do promotor Tardelli, o juiz entendeu que o irmão de Suzane, Andreas, estava “ao seu alcance”, recebendo o argumento do Ministério Público de que o fato de ela estar em liberdade representava um perigo ao irmão, visto que os dois disputam na Justiça o direito sobre a gestão do patrimônio da família.
Os três devem ir a júri popular, marcado para o dia 5 de junho. A defesa de Suzane ainda tenta, na Justiça, que os julgamentos sejam realizados separadamente.