Os 11 desembargadores do Pleno do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas decidiram, ontem, punir o juiz Jesus Wilson Rafael da Silva com dois anos, nove meses e dez dias de prisão, posteriormente convertidos em uma pena pecuniária de 64 salários mínimos, divididos em 32 meses. O dinheiro será pago à família da estudante Juliana Silva de Souza, 15 anos, atropelada pelo magistrado no dia 16 de dezembro de 2001. A adolescente faleceu pouco depois do acidente que aconteceu na Avenida Brigadeiro Eduardo Brito, em Cruz das Almas. O juiz também teve a Carteira de Habilitação suspensa por seis meses.
Segundo os autos, o laudo da perícia feita pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) constatou que a caminhonete dirigida pelo juiz, provável mente em alta velocidade, subiu uma pequena ponte situada nas imediações do hotel Matsubara e atirou o corpo da adolescente, que estava na calçada, a 9,3m de distância do local da colisão. Depois de bater na vítima, o veículo só teria parado a mais de 63m.
No momento do acidente, Juliana Silva estava acompanha da menor Ana Carolina da Silva. Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que o juiz Jesus Wilson apresentava “indícios de embriaguez” e se recusou a fazer o teste do bafômetro. Ele voltava de uma festa de confraternização da Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis). Além disso, o magistrado também estaria utilizando telefone celular no momento do aciden te.
Dor e revolta
A mãe da adolescente Juliana da Silva Souza, a desempregada Maria das Graças de Souza, acompanhou a sessão emociona da. Em vários momentos ela chorou, protestou em silêncio, pronunciando sucessivamente a palavra mentira. Um dos momentos em que ela apresentou maior revolta se deu durante o relato do depoimento do juiz no qual ele afirma que sua esposa procurou familiares da menina para prestar solidariedade.