O juiz Adegmar José Ferreira, da 10ª Vara Criminal de Goiânia, colheu o depoimento da menina M., de 8 anos, que sofreu abuso sexual praticado pelo próprio pai, o pedreiro V., que está foragido. Também foi ouvida a mãe da estudante, R., que confirmou a versão da filha e admitiu ter demorado a denunciar o marido porque ele era agressivo e a ameaçava de morte. Como V. é revel – está deixando a ação penal tramitar sem apresentar defesa – o processo já vai passar, para a fase de alegações finais.
Segundo o Ministério Público (MP), os fatos ocorreram entre o final de 2003 e outubro de 2004, quando a psicopedagoga da escola onde a menina estudava percebeu que ela estava tristonha e arredia. Ao questioná-la sobre os motivos de tal comportamento, foi informada por M., então com 6 anos, que seu pai costumava aproveitar-se dos momentos em que a mãe saía para trabalhar e tirava sua roupa para, em seguida, esfregar seus genitais nos dela e acariciar seu corpo.
Chamada à escola, a mãe da menina admitiu que já havia sido informada alguns meses antes, pela filha, ocasião em que questionou seu marido sobre a veracidade das informações. Irritado, V. negou os fatos e “espancou” a menina dizendo “agora eu vou te ensinar a mentir”. Em depoimento prestado em juízo, a psicopedagoga afirmou que a mãe de M. somente comunicou o fato à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) porque a escola procurou o Conselho Tutelar e ameaçou denunciar sua omissão.
Ao falar hoje com o juiz, M. foi esclarecida de que seu pai estava sendo processado pelos atos cometidos contra ela e perguntada se os fatos narrados pelo MP eram verdadeiros, ao que ela respondeu positivamente, dizendo que demorou para contar tudo à mãe porque o pai a ameaçava, dizendo que lhe daria uma surra caso R. fosse informada do que estava acontecendo.
Por sua vez, a mãe dela disse que a filha nunca teve o hábito de mentir e de fato apresentara comportamento estranho mesmo antes de revelar-lhe o que estava acontecendo, pois se recusava a ficar próxima do pai ou sozinha com ele em casa nos momentos em que R. tinha de sair para o trabalho. Exame realizado na garota concluiu que ela é virgem e não sofreu conjunção carnal.