O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas concedeu prazo de cinco dias para a Petrobras entregar, mesmo sem conclusão, o relatório do processo de sindicância aberto para apurar as causas do acidente da Unidade de Furado, em São Miguel dos Campos, ocorrido em 23 de setembro último, no qual morreram quatro funcionários e seis ficaram feridos. Essa foi uma das questões discutidas na audiência do dia (24) com a Petrobras, as empresas Norcontrol e Normatel, prestadoras de serviços, e representantes de sindicatos dos trabalhadores. Nova audiência foi marcada para dia 11 de novembro, às 14 horas.
O procurador do Trabalho Rodrigo Alencar, chefe do MPT no Estado, recebeu parte da documentação solicitada à Petrobras e deu prazo de 20 dias para a empresa apresentar a conclusão da sindicância, além do quadro de trabalhadores lotados na Unidade de Furado de 2000 a 2008. Nesse mesmo prazo, terá de comprovar quantos empregados diretos trabalhavam na Unidade de Furado no mês de setembro dos último oito anos.
À Petrobras também caberá apresentar documentação, em cinco dias, de controle de jornada dos empregados lotados em Furado, bem como dos que prestaram serviço na unidade, de janeiro a 30 de setembro deste ano. O procurador também determinou que seja comprovada a participação de todos os funcionários em cursos de treinamento, antes e após a data do acidente. A Norcontrol e Normatel terão de entregar os mesmos dados referentes aos seus empregados nos mesmo prazos preestabelecidos.
Causa do acidente
O representante da Petrobras, Luiz Paulo de Araújo, engenheiro de Petróleo e gerente setorial de Operação da Unidade de Sergipe e Alagoas, disse que comparece à Unidade de Furado a cada 15 dias, em média, para acompanhar o trabalho de cerca de 70 funcionários. “Pela minha experiência profissional, creio que a causa direta do acidente tenha sido algum problema no sistema onde fica o solenóide, equipamento que recebe um sinal e manda abrir o fluxo de ar comprimido em três direções, fazendo a válvula, que controla o fluxo de gás na tubulação, abrir ou fechar”, afirmou.
Ele declarou ainda que, no momento do acidente, “a válvula abriu repentinamente, sem que nenhum trabalhador acionasse o sistema, tendo causado o acidente em razão do vazamento de gás natural, e que pouco tempo após o vazamento ocorreu a explosão que vitimou os trabalhadores”. Para ele, não foi constatado nenhum problema na válvula, nem desgaste que justifique o que ocorreu, mas o equipamento foi levado para Aracaju, onde será vistoriada. “Só após a perícia será possível saber o que causou o acidente”.
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