Não bastasse a resistência prometida pela oposição e por parte da própria base governista ao pacote anunciado na semana passada, o governo já se depara com outro obstáculo para elevar a arrecadação e compensar a perda dos R$ 40 bilhões que pretendia arrecadar com a CPMF este ano. Considerados peças-chave para a arrecadação dos tributos do país, os auditores fiscais ameaçam entrar em greve por melhorias salariais nas próximas semanas.
Os auditores fiscais da chamada Super-Receita, órgão criado ano passado a partir da fusão da Receita Federal e da Receita Previdenciária, prometem cruzar os braços caso o governo não dê prosseguimento à proposta de nivelar o salário da categoria com o dos delegados da Polícia Federal, que recebem cerca de R$ 16,6 mil por mês.
A greve pode atrapalhar os planos da equipe econômica, que prevê compensar o fim da CPMF com o aumento da arrecadação tributária prevista para este ano. Entre as atribuições de um auditor fiscal está o exame da contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, a verificação do cumprimento das obrigações tributárias e a análise do desempenho, efetivação e previsão da arrecadação.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Pedro Delarue, foi o próprio governo quem acenou com a possibilidade de nivelamento entre os salários.
“Em setembro do ano passado, foi prometido o reajuste para a categoria. Mas, desde o início da queda-de-braço entre governistas e a oposição pela aprovação da CPMF no Senado Federal, os diálogos foram interrompidos”, disse Delarue ao Congresso em Foco.