O Ministério Público Federal em Campinas moveu duas ações de improbidade administrativa contra as ONGs Grupo de Orientação e Apoio aos Portadores de Aids (Goapa) e Sociedade Projeto Abraço. O MPF pede que as organizações devolvam R$ 6.409 e R$ 14.616, respectivamente, à Unesco. Segundo a ação, a verba deveria ser aplicada em prestações de serviços a portadores de Aids, mas as duas ONGs não teriam feito uso adequado do dinheiro.
A Goapa recebeu por meio do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, financiado pela Unesco, mais de R$ 25 mil para dois programas. Para a Sociedade Projeto Abraço foram destinados quase R$ 14 mil com a finalidade de ampliar o acesso e melhorar a qualidade do diagnóstico, tratamento e assistência a portadores de HIV.
Segundo o MPF, a presidente da Goapa, Telma Aparecida Godoy, apropriou-se de parte dos recursos e apresentou uma prestação de contas apenas parcial. Do total do valor recebido pela ONG, Telma só comprovou o emprego de aproximadamente R$ 19 mil, segundo a ação. A presidente, inclusive, teria confessado o débito ao Ministério da Saúde, conforme divulgou o MPF.
Ainda de acordo com a ação do MPF, a presidente do Goapa utilizou um documento falso para comprovar a compra de um computador R$ 2,2 mil. Além disso, ela gastou R$ 900 com dois “coffee breaks” e um aparelho de fax, no valor de R$ 1,02 mil.
A sociedade Projeto Abraço firmou convênio com a Unesco em 2001. O auxílio financeiro seria pago em duas parcelas. A primeira, no valor de R$ 14.616 e, a segunda, no valor de R$ 1.624, que segundo o MPF, não chegou a ser repassada, pois as prestações de contas foram consideradas insuficientes pelo Ministério da Saúde.