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Hemobrás, uma fábrica de viagens com dinheiro público

Hemobrás, uma fábrica de viagens com dinheiro público

A Hemobrás ainda não saiu do papel, cinco anos após a sua criação. Mas já rendeu muitas viagens internacionais aos seus diretores, a maioria delas a Paris.

A Hemobrás ainda não saiu do papel, cinco anos após a sua criação. Mas já rendeu muitas viagens internacionais aos seus diretores, a maioria delas a Paris. Num período de dois anos, em 2007 e 2008, foram feitas 40 viagens ao exterior, sendo 26 à capital francesa. Somados todos os diretores, foram 173 dias no exterior. A despesa com diárias alcançou R$ 129 mil. E ainda falta contar o preço das passagens, todas na classe executiva. O então presidente, João Baccara, e o diretor-técnico, Luiz Amorim Filho, foram sete vezes a Paris. Estiveram ainda em Madri, Bruxelas, Caracas, Kyoto, Hilden e Washington, percorrendo quatro continentes.
Oficialmente, as viagens à França tiveram por objetivo a negociação do contrato de transferência de tecnologia para fracionamento de plasma fechado com o Laboratório Francês de Biotecnologia (LFB), no valor de R$ 16 milhões. Mas o procurador do Ministério Público do Tribunal de Contas da União (TCU) Marinus Marsico contesta a real necessidade dos deslocamentos: “Acho despropositado. O que nos chama a atenção é que são justamente as pessoas que ocupam as funções de confiança. Não observo viagens de técnicos. Vejo viagens de dirigentes, o que não me parece muito lógico numa viagem com o objetivo de se fazer uma transferência de tecnologia”. Ele disse que vai requisitar a documentação à estatal para verificar exatamente o motivo das viagens e quais os resultados. “Vamos verificar o mérito disso”, completou.
[b]Se tudo der certo, só em 2014
[/b]A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) foi criada em 2004, com a meta de produzir 500 mil litros de plasma por ano, gerando uma economia anual em torno de R$ 400 milhões. Mas até hoje não passa de um terreno terraplanado na periferia de Goiana (PE), distante 63km de Recife. Pior do que isso, a obra foi paralisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em setembro. Foram apontados indícios de sobrepreço e processo de licitação irregular, com restrição à competitividade. O projeto executivo da fábrica está sendo refeito e ficará pronto em março do próximo ano. As obras devem ser retomadas no segundo semestre. O funcionamento da planta industrial terá início só em 2014, dez anos após a sua criação, se não houver novos contratempos.

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