A Justiça determinou a prisão temporária de 23 funcionários da Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor) nesta quinta-feira (13/1). Eles são acusados do espancamento de cerca de 30 internos da unidade 41, na Vila Maria, zona norte de São Paulo.
A polícia já prendeu e colheu depoimentos de 16 dos funcionários acusados, que irão responder a processo por crime de tortura. O Ministério Público divulgou imagens que mostram marcas de violência no corpo de alguns menores.
Nesta quarta-feira (12/1), enquanto o presidente da Febem e secretário de Justiça de São Paulo, Alexandre Moraes, se dirigia à Vila Maria para averiguar as denúncias de espancamento, estourou uma rebelião na unidade do Tatuapé, na zona leste.
O secretário afirmou que o motim pode ter sido provocado por funcionários para desviar a atenção das investigações. A declaração provocou reações acaloradas de funcionários, que hostilizaram Moraes durante a visita.
O promotor Wilson Tafner também considerou “coincidência demais” o início de uma rebelião no Tatuapé praticamente no mesmo horário da vistoria na Vila Maria. Outros 10 funcionários foram condenados a até 15 anos e cinco meses de prisão pelo espancamento de menores em 2002.
A seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil divulgou, nesta quinta-feira (13/1), nota oficial pedindo apuração aprofundada das denúncias de prática de tortura contra os jovens internos da Febem.
Para o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, é preciso criar uma força tarefa para acabar com a cultura da violência dentro da Febem que, segundo a nota, é um modelo falido.