Depois de falsificar liminares, certidões judiciais e até mesmo edições do Diário do Poder Judiciário para arrancar ilicitamente dinheiro de um cliente, a advogada Virgínia Amália Marques Napoli, 35 anos, foi presa em cumprimento a um mandado de prisão sob acusação de estelionato. A advogada vinha sendo investigada há mais de um mês pela Delegacia de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública (Dececap).
A acusada foi denunciada pelo comerciante Paulo Roberto Farias Baleeiro, que contratou os serviços da advogada para entrar com um ação contra um empresa responsável por um incêndio que destruiu totalmente o seu estabelecimento, localizado no município de Feira de Santana. A vítima só percebeu que estava sendo lesada após quatro meses.
Durante esse período a advogada conseguiu ‘arrancar’ cerca de R$ 30 mil do comerciante alegando que as quantias seriam para custear os processos, quando na verdade ela nem chegou a dar entrada na ação. Logo após o incêndio, em dezembro do ano passado, Paulo Roberto entrou em contato com a advogada para dar entrada na ação contra a empresa.
Os dois se encontraram algumas vezes e a advogada foi muito positiva em relação a vitória do cliente, que chegou a achar estranho o fato de ela ter dado entrada no processo em Salvador, já que o fato aconteceu em Feira de Santana, mas ela o tranqüilizou e falou que era comum.
Em pouco tempo Virgínia apresentou liminares, Documentos de Arrecadação Judiciária (DAJ), Certidões do processo e até publicações no Diário do Poder Judiciário sobre a indenização do processo. A advogada chegou a mostrar documentos ao cliente comprovando que a indenização seria entre R$ 750 mil a um milhão de reais.
Empolgado com a notícia deque seria em breve ressarcido do prejuízo, o comerciante pagava todas as quantias solicitadas pela advogada. Ele montou um dossiê com os documentos e após quatro meses sem ver resultado, começou a desconfiar do golpe. Entrou no site do diário e percebeu que a empresa dele não estava nas publicações. Resolveu então apertar a advogada, que depois de algum tempo negando, assumiu o golpe, mas afirmou que devolveria o dinheiro.
O comerciante registrou queixa na Dececap e após um mês de investigação, o delegado Jackson Carvalho, plantonista da unidade, representou pela prisão temporária da advogada, que foi deferida anteontem e cumprida na manhã de ontem. Em depoimento, Virgínia confessou o golpe, mas não quis falar com a imprensa. A advogada cumprirá a prisão temporária de cinco dias, que pode ser prorrogada, na custódia da Policia Interestadual (Polinter), na Piedade. A polícia investiga se há outras vítimas da advogada.
Tribuna da Bahia