As advogadas Kátia Cristina Moreira e Cláudia Gomes da Silva foram presas, no início da tarde de ontem, acusadas de tentar subornar o subcoordenador Penal Miguelangelo Coutinho, da Secretaria de Administração Penitenciária, no Centro. O motivo seria a transferência de Douglas da Silva Estannislau, cliente das advogadas que aguarda julgamento na Casa de Custódia Bangu C, indiciado por tráfico de drogas e homicídio.
Segundo o coordenador de Inteligência do Sistema Penitenciário (Cispen), capitão Veras, a proposta de transferência tinha o objetivo de levar Douglas para um local onde a fuga fosse mais fácil. Elas tentavam transferi-lo para o presídio Ary Franco, em Água Santa, Milton Dias Moreira ou Lemos de Brito, no Complexo da Frei Caneca.
– Miguelangelo avisou ao subsecretário de Unidade Prisionais, coronel Spargoli, que vinha sendo assediado pelas advogadas para facilitar a transferência de seu cliente para uma penitenciária considerada menos vigiada que a de Bangu, em troca de um ”incentivo financeiro”, como a própria advogada Kátia Moreira argumentou – disse ele.
Para garantir o flagrante, a Cispen, com Miguelangelo, marcou uma reunião com as advogadas na Sede da Secretaria de Administração Penitenciária. A conversa foi gravada por câmeras escondidas.
As advogadas foram autuadas por corrupção ativa e podem pegar de um a quatro anos de prisão. O presidente da seção Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Octávio Gomes, explicou que as acusadas responderão a processo de ética disciplinar. As penas para esse tipo de infração variam entre advertência, censura, suspensão de até um ano ou a exclusão da OAB. O caso foi registrado na 5º DP (Gomes Freire), onde será iniciada uma investigação sobre os outros clientes e as atividades das advogadas.