O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só viaja na aeronave da Presidência, um Airbus-A319, se os dois reversos estiverem destravados. Segundo o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito (foto), é uma orientação extra de segurança em relação às recomendações determinadas pela fabricante da aeronave.
“Por norma de segurança, não é permitido voar sem o reverso. É uma norma de segurança para transportar o mais alto mandatário na nação, não pode operar sem o reverso”, afirmou, durante depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara. Saito lembrou ainda que parte da manutenção do avião presidencial é feita pela TAM.
A informação de Saito sobre o reverso causou espanto entre os presentes à sessão da comissão porque o Airbus-A320 da TAM que se acidentou no dia 17 de julho e causou a morte de 199 pessoas voava com um dos reversos travados. O reverso é o equipamento que ajuda o avião a frear no momento do pouso.
Em nota, a TAM informou que o reverso direito do avião foi desativado em condições previstas nos manuais de manutenção da Airbus e aprovado pela Agência Nacional de Aviação (Anac). Segundo a companhia aérea, “o procedimento não configura qualquer obstáculo ao pouso da aeronave”.
Revelação grave
Os deputados reagiram com críticas às informações de Saito sobre as orientações extras de segurança destinadas ao avião presidencial. Para a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), a Aeronáutica deveria proibir o vôo de todas as aeronaves com o reverso desativado. “Esta foi a revelação mais grave que houve aqui hoje. A Aeronáutica sabe que voar com o reverso pinado oferece risco”, disse, ontem.
O presidente em exercício da CPI, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também defendeu mudanças nas exigências ordenadas pelas empresas aéreas e fabricantes de aeronaves no que se refere ao reverso.
“Isso reforça a tese de que a TAM e a Airbus devem rever essa recomendação de poder voar com o reverso pinado”, afirmou Cunha. “Se o avião do presidente não pode voar com o reverso pinado, o fabricante deve adotar o mesmo procedimento para as outras aeronaves. No caso de segurança de vôo é preciso tentar evitar os acidentes”.
Da mesma forma pensa o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR): “Acho que a regra tem que ser igual para todos”.
Menos assentos
Na outra CPI que investiga o Apagão Aéreo, no Senado, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que determinou à Anac um estudo sobre a recomposição do espaço dentro dos aviões, para atender ao interesse do cidadão e não à necessidade das empresas de carregar mais passageiros. “Os espaços entre as poltronas estão reduzidos”, disse o ministro, contando que com seu 1,90m de altura tem dificuldade para se acomodar nas poltronas.
Segundo ele, o aumento da capacidade de vôos no Brasil foi menor que o crescimento da demanda, o que fez com que sumissem os aviões menores e os vôos regionais e as companhias aéreas passaram a usar aviões maiores, “comprimidamente”.