O promotor Sóstenes Araújo entregou ontem, ao juiz da Comarca de Atalaia, Galdino Amorim, o pedido de indiciamento do juiz Williamo Lopes, acusado de envolvimento no assassinato da jovem Macléia dos Santos, 24, ocorrido em fevereiro do ano passado.
O documento deve ser enviado ao procurador–geral de Justiça, Coaracy Fonseca, a quem caberá oferecer, ou não, a denúncia ao Tribunal de Justiça de Alagoas. O juiz Williamo tem foro privilegiado e, por isso, não responderá a processo em Atalaia, junto com os demais acusados.
O magistrado foi citado no processo depois da prisão do policial militar Cícero Joab Dantas de Araújo, da 4ª Companhia Independente de Atalaia, apontado como autor do crime. Williamo Lopes teria mandado o policial ir à casa de Macléia para ameaçá–la. Na ocasião, a vítima, que teve um filho com o juiz, foi “aconselhada” a deixar a cidade de Atalaia, onde morava.
Macléia dos Santos, conforme foi apurado, teria pedido uma pensão alimentícia ao magistrado.
E o caso amoroso entre os dois fora descoberto pela mulher do juiz, a fazendeira Amália Miranda Lopes, denunciada como mandante do assassinato.
Além do casal e do militar, também foi denunciado como participante do crime José Sérgio Azevedo, atualmente preso em uma delegacia de Maceió.
Depoimentos adiados
Ontem, o juiz Galdino Amorim, de Atalaia, iria tomar os depoimentos de 17 testemunhas de acusação, mas as audiências foram adiadas a pedido do advogado de Amália Lopes, Raimundo Palmeira, que não compareceu ao Fórum da cidade alegando estar em viagem a Brasília.
Os depoimento foram adiados para a próxima segundafeira, a partir das 10 horas.
Diversas testemunhas e os acusados, entre eles a fazendeira Amália Lopes, compareceram ao Fórum de Atalaia que foi protegido por forte esquema de segurança, inclusive com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Tribunal de Alagoas
Magistrado deverá ser ouvido pelo TJ
O depoimento do juiz Williamo Lopes, que havia sido marcado para o dia 2 de junho, às 8 horas, em Anadia, também deverá ser cancelado. “Ele iria depor como testemunhas, mas diante do pedido feito pelo Ministério Público para que o magistrado seja indiciado, muda o andamento do caso. Caberá ao Tribunal de Justiça do Estado tomar seu depoimento”, explicou o juiz Galdino Amorim.
O advogado Carlos Pedrosa, que faz a defesa do mototaxista José Sérgio Azevedo, voltou a solicitar ontem o relaxamento da prisão de seu cliente, mas o pedido ainda não foi analisado pelo juiz de Atalaia que preside o processo. “Antes de tomar qualquer decisão vamos ouvir o Ministério Público”, concluiu.
O mototaxista José Sérgio, apontado desde o início das investigações como autor material do assassinato, disse em interrogatório que a ex–amante do juiz foi executada pelo militar Cícero Joab.
A trama
Macléia dos Santos sumiu de sua casa, em Atalaia, no dia 2 de fevereiro de 2005, de onde teria saído em companhia de José Sérgio. O mototaxista teria dito que iria ao município de Teotônio Vilela, onde receberia certa importância em dinheiro e lhe emprestaria R$ 50,00.
O corpo de Macléia foi encontrado, em adiantado estado de decomposição, numa fazenda em São Miguel dos Campos, quatro meses depois. A identificação somente foi possível por meio de exames de DNA.
O inquérito policial concluiu que Amália Lopes teria mandado matar Macléia porque a jovem teve um filho do juiz Williamo Lopes e se recusava a ir embora de Atalaia.
Na semana passada, a mãe de Macléia, Inês dos Santos Souza, que cria o filho da vítima com o magistrado, acionou a Justiça, para exigir pensão alimentícia para o garoto, que hoje tem três anos.