Pesquisa do Instituto CB-Data, realizada entre os dias 12 e 14 de setembro, revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, e o candidato da coligação PSDB-PFL, Geraldo Alckmin, estão empatados com 35% das intenções de votos entre eleitores do Distrito Federal. A candidata do PSol, Heloísa Helena, está com 13%, e Cristovam Buarque, com 3%. Os demais candidatos tiveram menos de 1%.
O empate — registrado na pesquisa estimulada, em que os entrevistados recebem uma lista com os nomes dos candidatos — ocorreu porque Alckmin subiu 11 pontos percentuais, passando dos 24% apurados na pesquisa realizada entre os dias 22 e 24 de agosto para 35% agora. O candidato petista caiu cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, quando tinha 40% das intenções de voto. Heloísa Helena oscilou de 14% para 13% das intenções de voto e Cristovam Buarque caiu de 5% para 3%. Na avaliação do cientista político Adriano Sérgio da Gama Cerqueira, gerente técnico do instituto, o crescimento expressivo de Alckmin e a oscilação de Lula em relação às pesquisas anteriores foi decorrência das alterações no programa de televisão de Alckmin.
Na pesquisa espontânea, a vantagem de Lula sobre Alckmin foi bastante reduzida. A causa principal foi o crescimento do candidato do PSDB, que passou de 18% para 29% das intenções de voto, ultrapassando Heloisa Helena, que caiu de 25%para 20%. O presidente Lula oscilou de 36% para 33%, ainda na margem de erro. Segundo Cerqueira, o crescimento de Alckmin na intenção de voto espontânea também está diretamente relacionado ao fato de o candidato tucano ter se tornado mais conhecido no Distrito Federal.
Tendência
Uma das razões da queda de Lula nas pesquisas foi uma alteração na relação entre o voto a favor e contra a continuidade da atual administração federal. Na pesquisa anterior, 51% dos eleitores consultados apoiaram o governo Lula, enquanto 41% manifestaram oposição a ele. Na última pesquisa, a tendência mudou, com 48% de intenção de voto de oposição ao governo e 45% a favor da sua continuidade. Essa inversão, segundo Cerqueira, é resultado da propaganda eleitoral e das denúncias contra o governo.
Entre os homens, Lula tem 39% da intenção de voto, Alckmin, 36% e Heloísa Helena, 12%. Já entre as mulheres, Alckmin lidera com 35%, contra 32% de Lula e 14% de Heloísa Helena. Cristovam mantém o indice de 3% de intenção de voto em ambos os sexos. Lula também lidera entre os eleitores de até 34 anos, empata com Alckmin na faixa de 35 a 44 anos e perde para o tucano entre os eleitores com mais de 45 anos. Entre os eleitores de nível superior, Lula tem 27% da intenção de voto, Alckmin 38% e Heloísa Helena, 21%. Na outra ponta, Lula tem 34% dos eleitores que cursaram até a 4% série, contra 33% de Alckmin e 10% de Heloisa Helena.
Alckmin tem 42% de intenção de votos entre os eleitores que ganham acima de 10 salários mínimos e 35% na faixa entre cinco e 10 salários mínimos, enquanto Lula tem 28% e 32 %, respectivamente. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, Lula vence Alckmin com 40% das intenções de voto contra 31%. Curiosamente, perde para o tucano na faixa de eleitores que recebe até dois salários mínimos. Entre os mais pobres, Alckmin tem 37% de intenção de votos e Lula, 36%. Nesse segmento, Heloisa Helena tem 11% de intenção de voto, percentual que sobe progressivamente à medida que aumenta a faixa de renda, até chegar a 17% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos.
A pesquisa também avaliou o prestígio dos partidos políticos, independentemente dos candidatos. O PT lidera com 14% da preferência, seguido pelo PMDB (13%), PSDB (5%), PFL (4%) e PTB (1%). Os demais partidos têm menos de 1%. A pesquisa domiciliar e individual entrevistou 1.100 eleitores e foi registrada no TRE-DF (nº 19114/2006) e no TSE (nº 17374).