A organização Anistia Internacional pediu que a justiça chilena “cumpra seu papel” na extradição para o Peru o ex-presidente Alberto Fujimori, para que enfrente processos por violações dos direitos humanos e corrupção.
“A Anistia Internacional tem confiança na justiça como um poder independente no Chile e esperamos que cumpra com seu papel”, ressaltou nesta quarta-feira em uma entrevista coletiva à imprensa Sergio Laurenti, diretor da organização no Chile, ao dar início a uma campanha para a extradição do ex-presidente.
“O desejo é de que uma decisão seja tomada a respeito da extradição de Fujimori para o Peru para que enfrente a justiça”, explicou Laurenti ao apresentar a campanha.
O diretor da Anistia Internacional afirmou no entanto que, se a justiça chilena negar sua extradição, Fujimori (1990-2000) deverá ser julgado no Chile. “Mas esperamos que não seja o caso”, disse.
A campanha ‘Fujimori: Ações contra a impunidade’ terá exposições fotográficas, debates em universidades e manifestações públicas e será realizada uma semana antes de a promotora da Suprema Corte Mónica Maldonado emitir seu relatório sobre a extradição de Fujimori, segundo um prazo que ela se impôs.
Esse relatório, esperado para o dia 23 de abril, é decisivo para estabelecer se procede ou não o pedido feito pelo governo peruano e, embora suas conclusões sejam uma recomendação, são indispensáveis para que o juiz da Suprema Corte responsável pelo caso, Orlando Alvarez, emita sua sentença.
O ex-presidente peruano, de 68 anos, chegou surpreendentemente ao Chile em novembro de 2005, depois de ter permanecido refugiado por cinco anos no Japão. Preso e depois liberado provisoriamente, agora aguarda uma decisão sobre sua extradição.
O pedido de extradição ocorre devido a duas acusações por violações dos direitos humanos e a dez por corrupção.