Irregularidades em um contrato firmado em 2004 entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Fundação Universidade de Brasília (FUB) causaram rombos milionários que deverão ser ressarcidos aos cofres públicos. Relatório sigiloso de uma auditoria interna feita pela Funasa, obtido com exclusividade pelo Correio, aponta um prejuízo de R$ 2.822.656,84 na execução do convênio entre 2006 e 2007. O dinheiro deveria ter sido usado na melhoria da saúde indígena da etnia xavante em Mato Grosso. No entanto, a Funasa deu prosseguimento à investigação e auditores já constataram que o desvio é maior, chegando a R$ 5 milhões — a quantia extra ainda será comunicada aos órgãos de controle.
Os gastos em apuração foram autorizados pelo ex-reitor Timothy Mulholland e pelo ex-diretor da Editora UnB Alexandre Lima. O relatório detalha os desvios do dinheiro público, usado para bancar festas e jantares caros, viagens e salários de funcionários desnecessários. A celebração do convênio ocorreu em junho de 2004 e teria vigência até agosto de 2009. Até abril deste ano, R$ 18.836.249,89 foram liberados para a UnB — assim, os recursos gastos irregularmente representam 26% do valor destinado à saúde dos índios. Inicialmente, o contrato foi assinado com a FUB, mas a UnB recontratou a Fundação Universitária de Brasília (Fubra), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área de Saúde (Funsaúde) e a Editora para executarem os serviços.