seu conteúdo no nosso portal

Bacharel em Direito : Sem vagas e com salário baixo

Bacharel em Direito : Sem vagas e com salário baixo

Para quem sai da faculdade, mesmo conseguindo a “licença” da Ordem para advogar, a situação continua muito difícil, a não ser os que provém de famílias com maior poder aquisitivo.

Para quem sai da faculdade, mesmo conseguindo a “licença” da Ordem para advogar, a situação continua muito difícil, a não ser os que provém de famílias com maior poder aquisitivo.

Até mesmo a participação em concursos ficou limitada. Para participar do concurso de ingresso para a Magistratura, por exemplo, o profissional deverá ter experiência prática de, no mínimo, três anos.

O advogado que não tem recursos, ainda tem de arcar com o dispêndio do valor da anuidade da Ordem (R$ 540,00 a R$ 600,00 anuais, com desconto de 30% para os formandos em 2004). Isso pode explicar o alto índice de inadimplência que a Ordem tem, a ponto de costumeiramente fazer campanhas para tentar diminuir essa situação.

O quadro não é muito diferente na Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), que presta uma série de serviços aos profissionais, como envio de recortes de intimações, de jurisprudência, e oferece cursos de aprimoramento profissional: cerca de 30% dos associados são inadimplentes (a anuidade é de R$ 428,50). A AASP decidiu (ver página 19) não reajustar as tarifas este ano.

E qualquer movimentação “estranha” acaba causando sérios problemas para os operadores do Direito. O último movimento grevista dos servidores do Judiciário, que paralisou todas as atividades judiciárias por 91 dias, é uma prova disso: milhares de processos ficaram parados, os escritórios deixaram de receber honorários e tiveram todos os casos praticamente “trancados”.

Alguns não tiveram como cumprir os compromissos financeiros a ponto de a OAB-SP intermediar com o Banco Santander/Banespa um programa de abertura de linha de crédito especial para fazer frente às despesas. Mas, nem mesmo a OAB-SP sabe o número de advogados, ou de pessoas jurídicas, que se inscreveram no plano.

Mesmo nos escritórios já estruturados o movimento grevista causou reflexos; no Reale Advogados 200 processos ficaram parados (“serão necessários pelo menos dois anos para colocar o serviço em dia”, afirma Eduardo Reale), enquanto no Roberto Bahia esse número subiu para 1.200. A diferença deve ser creditada à natureza dos processos.

Dificuldades à parte, o mercado continua recebendo novos profissionais (este mês será realizado mais um Exame de Ordem). Para D’Urso é “falsa a idéia de que o mercado do advogado acabou”. Para ele, ainda existem áreas onde existe carência de profissionais, como Telecomunicações, Franchising, Terceiro Setor e Biodireito.

Mas, o próprio D’Urso, que não se cansa de criticar a formação deficiente proporcionada pelas universidades brasileiras, admite que o profissional do Direito precisa “se adequar às mudanças do mercado”, enquanto o ex-presidente da AASP, José Roberto Pinheiro Franco, lembra que os jovens advogados devem investir em cursos de especialização e idiomas, e Eduardo Reale Ferrari, do Reale Advogados, tenta selecionar os novos funcionários mediante uma bateria de testes que inclui entrevistas, provas orais e escritas, fluência em outros idiomas.

A não ser que aumente consideravelmente as vagas nas especialidades citadas por D’Urso, ou em outras como Meio Ambiente, Energia, Tecnologia Espacial, etc. os que almejam o título de “doutor” vão ter de se digladiar para conseguir uma vaga no mercado.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico