Servidor de fórum de São Paulo afirma que vai processar responsável por fraude. Funcionário de outro setor criou situação por se sentir preterido em promoção.
Ele se viu envolvido em um enredo de intriga, que levou uma falsa conversa via MSN para as páginas do “Diário Oficial do Estado”. O servidor do Tribunal de Justiça André Luís Leôncio, de 33 anos, afirma que vai processar o funcionário responsável pela fraude que garante ter sido motivada por ciúme profissional. “Foi vingança por algo que nem tinha sentido, foi um funcionário que se sentiu preterido em uma promoção”, explica Leôncio.
Na segunda-feira (25), uma suposta conversa entre André e uma colega foi parar no “Diário Oficial” em meio a um despacho do juiz Antonio Jeová da Silva Santos, da 7ª Vara Cível do Fórum Regional de Santana. No bate-papo, os dois supostamente conversavam durante o horário de trabalho e reclamavam da diretora de um dos cartórios do fórum.
Na sexta-feira (29), o juiz afirmou ter identificado o funcionário do fórum responsável pela fraude. “Tudo partiu de um computador que não é de nossa vara”, disse Jeová. Para esclarecer o crime, Jeová acionou a Microsoft, a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) e um perito em informática.
Medo de e-mail
Para Leôncio e a colega envolvida na fraude, os cinco dias entre a publicação e o desfecho do caso foram de angústia e até receio de que o caso fosse um “crime perfeito”. Ele ficou até mesmo sem abrir o e-mail pessoal, divulgado no falso bate-papo, por causa do medo das críticas. “Tinha muitas mensagens, pelo menos umas 30 sobre o assunto, e nada favoráveis”, disse.
Cuidadoso, ele evita fazer referências diretas ao responsável pela publicação. Mas lembra que as pessoas inicialmente se assustaram com o que seria uma falha no sistema de publicação do diário. Mas ele ressalta que o problema teve outra origem. “O sistema não tem como filtrar o caráter de quem está mandando”, disse.
Leôncio afirma que desde o começo o juiz e a chefe do cartório não acreditaram no conteúdo, assim como os 20 colegas que trabalham na seção, responsável por analisar cerca de 5 mil processos cíveis em andamento na 7º Vara. “Demonstraram muito apoio e ficou aquele clima de mistério. Mas não tenho contato de amizade com o prédio inteiro, houve quem fosse até a seção só para ver quem eram os envolvidos”, afirma.
Processo
O servidor trabalha há 14 anos no fórum. Acostumado a lidar com despejos, execuções de títulos e mandados de busca e apreensões de bens, diz que não vai deixar de entrar com uma ação de indenização por danos morais. Mas torce mesmo para que tudo termine logo, embora saiba que não há um prazo para conclusão do processo administrativo que deve terminar com a demissão do funcionário responsável pela fraude e nem quanto tempo deve durar a análise do processo de indenização.
“Ainda que eu ganhe algum valor, as pessoas sempre vão lembrar deste episódio, é uma mancha. A gente sempre prefere que isso não tivesse ocorrido”, afirma.