Analista diz que presidente diminuirá o tom de confronto com a oposição. Mandatário já ameaçou expulsar o diretor do Banco Mundial do país.
O governo do presidente esquerdista Rafael Correa conseguiu uma nova vitória no Equador ao obter a maioria no plebiscito de domingo (15) e já começa a preparar a estratégia para a Assembléia Constituinte.
O “sim” à Constituinte, apoiado por Correa na campanha da consulta, obteve 78,1% dos votos, segundo uma pesquisa de boca-de-urna, enquanto o “não”, defendido por grupos da oposição, alcançou apenas 11,5%, ou seja, com mais de 60 pontos de distância entre os dois.
O arrasador resultado, ainda extra-oficial, revela que a oposição ficará “praticamente sem capacidade de resposta”, segundo o analista político Hugo Barber.
A oposição “continua encurralada e está ainda mais encurralada que antes do plebiscito” de domingo, disse Barber.
De agora em diante, segundo o analista, o Congresso não deixará de ser controlado pela oposição, mas esta não manterá a força de antes, pois contará com deputados suplentes, rebelados contra os cassados.
Barber, que dirige o Centro de Estudos e Análise, sustenta que o governo de Correa, revestido com a vitória arrasadora de domingo, possivelmente diminuirá o tom de confronto com a oposição.
Para Barber, a estratégia servirá para Correa levar adiante “uma colocação mais programática”, de conteúdo, “para conseguir mais membros da Assembléia” e começar a definir os temas que serão discutidos na Constituinte.
Cerca de 9,2 milhões de equatorianos foram convocados às urnas para se pronunciar sobre a convocação de uma assembléia constituinte, cujos 130 membros serão encarregados de redigir uma nova constituição que será também submetida a plebiscito em 2008.
Os resultados oficiais da votação serão divulgados apenas em uma semana, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).