O delegado da Polícia Federal Francisco Miguel Gonçalves disse nesta sexta-feira que liderou a deportação de oito espanhóis, por respeito à lei, e não por retaliação às deportações efetuadas recentemente por parte da Espanha. Gonçalves é chefe do setor de imigração do aeroporto internacional de Salvador (BA) há dez anos.
“Não é represália. É um trabalho de rotina que visa prevenir a imigração ilegal e o tráfico de drogas sintéticas e que foi intensificado na semana passada, por ordem do superintendente da Bahia, César Nunes. Deportação de estrangeiros é uma coisa que acontece sempre aqui, mas em menor escala –um ou dois passageiros por vez.”
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Na quarta-feira (5), dois jovens mestrandos brasileiros que participariam de um congresso de ciências sociais em Lisboa (Portugal) ficaram retidos no aeroporto de Madri (Espanha), onde o vôo –da Iberia– fazia uma escala. O caso teve repercussão devido ao tratamento que eles dizem ter recebido no aeroporto –teriam ficado horas impedidos de se alimentar ou telefonar. Diariamente, mais de dez brasileiros são impedidos de entrar na Espanha, de acordo com o cônsul-geral do Brasil em Madri, Gelson Fonseca. Só em fevereiro, foram 450.
Toda a situação provocou um mal-estar entre Brasil e Espanha, e o Ministério das Relações Exteriores, agora, ameaça endurecer as regras para entrada de espanhóis no país.
Por isso, a deportação dos oito espanhóis, em Salvador, foi vista como o início de retaliação. “Eu não acho que é preciso fazer retaliação. Basta que se aplique a lei brasileira. Eu, aqui, só apliquei a lei 6.815 (a chamada Lei do Estrangeiro), que prevê toda fiscalização necessária”, disse o delegado à Folha Online.
Espanhóis deportados
De acordo com o delegado, os oito espanhóis deportados –cinco homens e três mulheres com idade média de 26 anos– ou não conseguiram comprovar ter meios para subsistir no Brasil ou não tinham onde se hospedar.
Fonseca afirma que um dos espanhóis tinha cem dólares no bolso e ficaria 20 dias no Brasil. Outro, que tinha apenas R$ 160, afirmou que tinha como se manter e apresentou um cartão de crédito vencido em 2006. Um terceiro era um agente de viagens que vinha ao país fazer reportagem para vender pacotes a turistas, porém tinha extrapolado o prazo máximo de estada –180 dias em um ano.
O delegado afirma que os espanhóis chegaram a Salvador em um vôo da Air Europa, às 21h30 de ontem, e embarcaram de volta ao país apenas duas horas depois, às 23h30.
Os mestrandos brasileiros barrados em Madri anteontem permanecem no país –a previsão é a de que eles retornem nesta sexta, em um vôo da Iberia, ao meio-dia.