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Deputados federais utilizam ‘missão oficial autorizada’ para justificar faltas

Deputados federais utilizam ‘missão oficial autorizada’ para justificar faltas

Um estudo do jornal Folha de S.Paulo evidenciou um esquema denominado 'indústria da falta' na Câmara dos Deputados. A pesquisa, realizada durante as 568 sessões de fevereiro de 2003 a setembro deste ano, aponta que 79% das faltas abonadas foram justificadas por 'missão oficial autorizada'.

Um estudo do jornal Folha de S.Paulo evidenciou um esquema denominado “indústria da falta” na Câmara dos Deputados. A pesquisa, realizada durante as 568 sessões de fevereiro de 2003 a setembro deste ano, aponta que 79% das faltas abonadas foram justificadas por “missão oficial autorizada”.

A justificativa seria como um passe livre para resolver assuntos inadiáveis e de grande importância, como por exemplo, o acompanhamento de uma investigação de CPI em outro Estado. O problema é que não há uma fiscalização para saber se, de fato, o deputado que solicitou o abono tem um compromisso de tal seriedade.

O sistema funciona quando o líder da bancada manda uma ofício para a Mesa da Câmara requerindo o abono para o deputado solicitante. Nem o líder do partido nem a Mesa se preocupam em verificar se a falta tem um motivo verdadeiro ou não.

Segundo o líder da bancada do PTB, José Múcio, não cabe a ele fiscalizar o pretexto do deputado faltoso. “Confio na palavra do deputado. O que posso fazer? Mandar uma equipe para acompanhá-lo? Isso não existe”, completa. Já a Mesa empurra a responsabilidade, alegando que não há porque duvidar do líder.

A preocupação por abonar faltas tem três objetivos. O primeiro, talvez mais ameno, é não carregar publicamente a imagem de parlamentar ausente. Depois, é evitar descontos na folha de pagamento por dia não trabalhado. E o pior: se as faltas excederem um terço das sessões do ano, o resultado é a cassação do mandato.

O deputado recordista de ausências é o peemedebista Geddel Vieira Lima, com 228 justificativas por “missão oficial autorizada”, o que representa 40% de todas as sessões analisadas do período.

“Exerço meu mandato como acho que devo e a população do meu Estado me julga. Como vocês já fizeram essa matéria e eu voltei foi reeleito com quase 300 mil votos, a população deve achar que eu estou fazendo certo”, se defendeu Lima.

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