Em novo depoimento aos policiais federais em Brasília, onde está sob proteção de agentes do Comando de Operações Táticas (COT), o escrivão Fábio Kair resolveu adicionar mais ingredientes à crise interna na Superintendência do Rio. Além de apontar os nomes de outros policiais federais envolvidos em ações ilegais (até agora eram apenas sete), ele revelou que ao menos três casos de desvio de drogas teriam ocorrido nos últimos três anos no cofre da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF do Rio. Ao todo, segundo ele, mais de 90 quilos de cocaína pura foram subtraídos da PF e entregues aos traficantes que dominam morros da cidade.
Novas denúncias tratadas com reservas pela PF
As denúncias envolvem não só os policiais da gestão da DRE que foi afastada da delegacia depois do furto dos R$ 2,1 milhões em euros, dólares e reais, como de administrações anteriores. Suas novas revelações estão sendo tratadas com reservas pelos policiais e promotores que cuidam das investigações.
No mês passado, Kair já havia acusado em depoimento à Justiça federal do Rio colegas federais da DRE pelo desvio de 50 quilos de cocaína apreendida. A droga foi vendida por R$ 200 mil a traficantes da Vila Vintém. O escrivão admitiu ter participado do desvio e reconheceu ter recebido R$ 30 mil na divisão.
Kair contou ainda no mesmo depoimento ter participado no roubo do furto do dinheiro apreendido com uma quadrilha de traficantes internacionais durante a Operação Caravelas. E mais: o roubo do dinheiro, segundo Kair, teria outros participantes dentro e fora da PF. Foram essas novas revelações, tratada em caráter sigiloso, que levaram o procurador da República Gino Liccione, do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial, do Ministério Público Federal no Rio, a devolver — sem denúncia — o inquérito ao delegado Alessandro Moretti.