O Ministério Público Federal acredita que a quadrilha formada supostamente por 9 auditores fiscais do INSS do Rio, que teria fraudado a Previdência em pelo menos R$ 3 bilhões, tinha como um dos objetivos financiar campanhas de políticos. Numa das conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial, um auditor conversa com outro “ir ao ministério pedir para acabar com a força-tarefa (formada pelo MPF, Polícia Federa e INSS)”.
Um dos ficais interrogado quarta-feira na Justiça Federal, Arnaldo Carvalho da Costa, é sócio do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), em uma fazenda, além de ter comprado do deputado uma casa em Búzios.
”Historicamente, parte do dinheiro injetado em campanhas eleitorais é financiado por esquemas no INSS”, disse um dos procuradores, Fábio Aragão. Segundo ele, ainda não há indício do envolvimento de Picciani, “mas há probabilidade!” e vai investigar.
Depois de cumprir mandado de busca e apreensão na casa de Costa, que está preso preventivamente, assim como os outros denunciados, o MPF descobriu que informações sigilosas da investigação vazaram para os acusados. Um documento expedido pelo corregedor-geral de Justiça, Paulo Gomes da Silva Filho, e enviado aos cartórios de imóveis com uma lista com o nome dos investigados, chegou às mãos de Costa e de Antônio Vinícius Monteiro.
Um deles, segundo Aragão, o enviou por faz ao posto do INSS em Irajá, onde Monteiro era o gerente de Arrecadação e Fiscalização.
Ao ser interrogado pelo juiz da 3ª Vara Federal Criminal, Flávio Roberto de Souza, Costa negou ter feito doações para campanhas eleitorais, apesar de ter admitido que “conhece muitos políticos”. Aragão mostrou manuscrito apreendido na casa do réu com anotações de valores ao lado das palavras “campanha” e “partidos”.
Na Assembléia, Jorge Picciani classificou de “calúnia, difamação calhorda e ilação sem fundamento” a vinculação de seu nome a fraude no INSS. Ele admitiu que tinha amizade com Costa.