seu conteúdo no nosso portal

Dos Três Poderes o Judiciário é o mais confiável

Dos Três Poderes o Judiciário é o mais confiável

O Poder Judiciário de Goiás foi eleito por 43,3% das pessoas ouvidas em enquete realizada pelo DM como o mais confiável. O Poder Executivo obteve 13,3% de aprovação e o Legislativo, patinho feio do trio, apenas 6,6%. Porém, 36,6% dos entrevistados disseram que não confiam em nenhum poder. Mesmo quem avaliou positivamente algum dos três, na maioria dos casos acredita que eles não resolvem os problemas da população. Pelo menos, não como deveriam.

O Poder Judiciário de Goiás foi eleito por 43,3% das pessoas ouvidas em enquete realizada pelo DM como o mais confiável. O Poder Executivo obteve 13,3% de aprovação e o Legislativo, patinho feio do trio, apenas 6,6%. Porém, 36,6% dos entrevistados disseram que não confiam em nenhum poder. Mesmo quem avaliou positivamente algum dos três, na maioria dos casos acredita que eles não resolvem os problemas da população. Pelo menos, não como deveriam.

As praças do Bandeirante e Cívica e a Rua 4, no Centro, avenidas 24 de Outubro e Anhangüera, em Campinas, e Praça Tamandaré, no Setor Oeste, foram os pontos escolhidos para o DM fazer duas perguntas básicas a 30 pessoas: Em qual dos três poderes constituídos você confia mais? Qual deles, atualmente, atende melhor os anseios da população? Os entrevistados também deram notas de zero a dez para cada um dos poderes.

Ainda que o Judiciário consiga melhor avaliação que Executivo e Legislativo, a vantagem vem precedida de uma série de ressalvas. As notas conferidas pelos entrevistados dão dimensão do descrédito popular dos três poderes: o Judiciário conseguiu passar apertado, obtendo 5,4 de média. O Executivo chegou a 4,7 e o Legislativo, a apenas 3,8.

Na cabeça da população, o Legislativo é o poder constituinte que mais está associado à corrupção e inoperância. Soma-se a isso a avaliação de que trabalha pouco e ganha muito e, ainda assim, quer reajustar seus salários. Outro dado importante é que o Legislativo é o poder cuja população mais desconhece seus atos. Na maioria das vezes, ao avaliá-lo, vinha na cabeça das pessoas apenas a palavra “política”, de forma pejorativa. “Essas pessoas que mexem com política não são confiáveis. São elas que criam as leis, mas, pelo que vemos ali, só o fazem em benefício próprio. Ficamos reféns dos corruptos”, diz o comerciário Gleiciano Veríssimo.

Também muito associado à corrupção, o Executivo encontra um pouco mais de aceitação beneficiado pelo próprio caráter do poder, cujas ações são mais visíveis e atingem de forma mais imediata a população. “O Executivo está longe do ideal, mas pelo menos está mais próximo do povo e assim fica mais fácil fiscalizar e cobrar”, acredita a universitária Aline Araújo.

O Judiciário, em geral, teve melhor classificação pelo fato de, na avaliação popular, contar com quadros mais preparados, que ingressaram via concurso público, cuja concorrência eleva o nível de qualificação. “Os quadros do Judiciário são mais éticos e preparados, a pessoa trabalha regida por normas rígidas e tem de estudar muito pra chegar lá”, diz o técnico ótico Paulo Rodrigues Batista.

Mesmo se sobressaindo com relação aos outros, o Judiciário também foi muito lembrado pela morosidade da tramitação dos processos e pelo distanciamento da população. Traduzindo o sentimento popular, poderia ser classificado como o “menos pior”, expressão recorrente durante a enquete. Muitos o vêem como um casulo, fechado à sociedade. E também não está isento de corrupção. “Foi só eu começar a estudar Direito para perceber que, ao contrário do que imaginava, o Judiciário é cheio de falhas e nem lá as leis são rigorosamente cumpridas”, afirma a universitária Elba Regina de Oliveira. “Na verdade, somos obrigados a confiar na Justiça, que, no meio desse mar de lama, é o último recurso que temos para tentar garantir nossos direitos. Não nos resta outra alternativa”, desabafa o corretor de seguros Warlen José Vaz.

Desabafos – Durante a enquete, cachorrada, safadeza, preguiça, distanciamento e lentidão reinaram sobre raras palavras mais elogiosas, como trabalho e seriedade. Tomando como base o levantamento, pode-se dizer também que são poucos os que ainda creêm em avanços positivos nos poderes. Questionados se acreditavam em evolução, a maioria preferiu economizar na palavra “esperança”. “Não dá para confiar em nenhum. E sempre foi assim, uma sem-vergonhice geral, e não deve mudar tão cedo”, critica a comerciária Lourdes Cunha.

Com base nas respostas, em que o Judiciário tem mais aceitação pelo nível dos quadros, conclui-se que o goianiense não acredita muito no próprio voto, mecanismo pelo qual são eleitos os representantes do Executivo e do Legislativo. “Os políticos só aparecem nas eleições, para pedir voto, e às vezes a gente até confia e ajuda. Mas depois de eleitos, todos somem, vão cuidar só dos seus interesses e, quando a gente pede algo, fingem que não é com eles”, explica o vendedor Sizelício Divino Rodrigues.

A avaliação negativa também gera apatia na população. Pelo menos 20 entrevistados – que não foram contabilizados no levantamento – não sabiam exatamente as funções delegadas a cada poder e preferiram não responder à enquete. E, na maioria dos casos, diziam manter um distanciamento proposital, para não passarem raiva.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Sócio retirante desligado antes do Código Civil de 2002 não se submete ao prazo de dois anos
TJMT mantém multa aplicada a posto por falta de informação sobre preços
Borracheiro receberá adicional de insalubridade por estresse térmico