Os dois anos de cortes e apertos financeiros garantiram ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves(PSDB), um feito: zerar o déficit do estado. Quando assumiu o governo há dois anos, ele herdou uma dívida de R$ 2,4 bilhões de Itamar Franco (PMDB). Mas Aécio diz que o ajuste foi feito apenas com o esforço da sua equipe e que ele não contou com ajuda do governo federal. Houve até cortes no cafezinho. O pagamento do 13º será integral no dia 10 de dezembro. Na Paraíba, o descontrole financeiro é endêmico e crônico. Os salários estão atrasados, as consignações retidas, não há previsão do 13º e os fornecedores não recebem há meses.
Mas Aécio diz que o ajuste foi feito apenas com o esforço da sua equipe e que ele não contou com ajuda do governo federal, ao contrário: — Não tivemos facilidade para obter recursos federais. As dificuldades virão em 2005 e em 2006. Nos nossos cálculos, não contamos com o governo federal, a não ser em alguns casos, como o das rodovias cuja manutenção é responsabilidade da União.
Cortes até no cafezinho
Sem reajustar os salários dos servidores, cortando os gastos até com cafezinho e buscando aumentar a receita do estado, Aécio Neves reduziu os gastos em R$ 1 bilhão em 2003 e aumentou a arrecadação de ICMS entre 2003 e 2004 em R$ 1,7 bilhão. O governador anunciou que o 13 salário dos funcionários públicos será pago de uma só vez no dia 10 de dezembro.
Hoje embaixador do Brasil na Itália, Itamar Franco não gostou da referência à dívida herdada por Aécio e disse que ela não foi criada em seu governo. O sucessor de Itamar evitou o confronto: disse que é agradecido ao embaixador e que divide o seu êxito com ele e com o senador Eduardo Azeredo (PSDB), que governou Minas Gerais antes de Itamar Franco.
Já na Paraíba a incapacidade administrativa, ao final do segundo ano de governo, o Governador Cássio Cunha Lima não consegue atualizar os salários, não tem previsão para o 13º salário, as consignações estão sendo retidas e os fornecedores não recebem há mais de meses.
Não houve reajuste salarial, mas a folha de pessoal pulou de R$ 98 milhões para R$ 127 milhões. Houve aumento na receita do ICMS e de 11% no FPE. A situação é caótica.