A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) vai pedir nos próximos dias uma perícia independente nas maletas compradas por órgãos do governo federal. O Ministério Público quer saber, de uma fonte alternativa à Polícia Federal, se os equipamentos, sob custódia judicial, interceptaram conversas telefônicas sem respaldo da Justiça. Será escolhida entre uma instituição de Brasília e outra de fora aquela que vai analisar os 11 aparelhos enviados à 10ª Vara Federal do DF há duas semanas.
Dez dessas maletas pertencem à Polícia Federal e uma ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça que administra os presídios federais. A decisão de recolher os equipamentos se estendia à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e à Polícia Rodoviária Federal (PRF), que declararam, na ocasião, não possuir aparelhos capazes de realizar escutas.
Com a auditoria independente, os procuradores Gustavo Pessanha Veloso, Lívia Nascimento Tinoco e Vinícius Fernando Alves Firmino tentam descobrir se partiu desses equipamentos o grampo da conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demostenes Torres (DEM-GO). Os três procuradores atuam no controle externo do trabalho realizado pela PF.
A frente de investigação foi aberta após a revelação, pela revista Veja, da transcrição de um diálogo telefônico entre as duas autoridades, cujo teor foi confirmado por eles. A perícia, no entanto, não se restringirá a essa questão. Os representantes do MPF pretendem, a partir da auditoria, conferir se todas as interceptações realizadas pelos equipamentos da polícia têm lastro judicial.
O delegado Protógenes Queiroz, que presidiu o inquérito da Operação Satiagraha, pediu para utilizar uma dessas maletas durante a investigação. A direção da PF teria negado o pedido sob o argumento de que o policial tinha à sua disposição o Guardião — sistema que permitia ao delegado fazer as interceptações. A operação policial comandada por Protógenes contou com a participação de servidores da Abin, suspeitos de terem grampeado Mendes. O presidente do STF livrou duas vezes da prisão o banqueiro Daniel Dantas, principal investigado pela Satiagraha.
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