Vitória – Depois de quase seis horas prestando depoimento ao desembargador Pedro Valls Feu Rosa, no Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, o ex-presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz, confessou que “houve desvio do dinheiro alusivo ao contrato de seguro firmado entre a Associação Representativa dos Servidores da Assembléia Legislativa, Arsal, e a empresa Porto Seguro, figurando como corretora a empresa Roma.” Gratz compareceu ao Tribunal voluntariamente e sem advogado.
O ex-deputado afirmou que foi o ex-diretor da Assembléia Legislativa André Nogueira quem realizou todas as negociações com a seguradora e que R$ 300 mil em cheques decorrentes do contrato foram entregues a Nogueira. Segundo o depoimento de André, prestado na última terça-feira no Tribunal de Justiça, os R$ 300 mil eram destinados a José Carlos Gratz e quem fechou o contrato com a seguradora foi João Marcos Lopes de Faria, na época procurador geral da casa.
Gratz admitiu que o dinheiro foi entregue a Carlos Guilherme Lima para pagamento de uma dívida dele com o empresário. Disse ainda que concordou com os termos do contrato fechado supostamente por André Nogueira pois estava devendo compromissos de campanha eleitoral. O ex-presidente reconheceu sua culpa no epsódio, mas declarou sentir-se injustiçado quanto a alguns documentos cuja a assinatura diz não ser sua. Afirmou também “não ter nada contra André Nogueira e que entende o desespero do ex-diretor” ao confessar como supostamente funcionava a transferência ilegal de recursos.
Já o sócio da Corretora Roma, Francisco Perrout, que também prestou depoimento, nesta sexta-feira, confessou que assinou o contrato de seguro do prédio da Assembléia sabendo que R$ 300 mil teriam que ser entregue a Carlos Guilherme Lima, a mando de José Carlos Gratz. Segundo Perrout, o ex-diretor André Nogueira foi quem intermediou a negociação e que a entrega dos mais de 30 cheques no valor de R$ 10 mil, cada um, foram entregues a Guilherme Lima no gabinete de Gratz.
Depois de ter dois habeas-corpus negados desde que foi preso em dezembro, o ex-presidente da Assembléia Legislativa José Carlos Gratz teve pelo menos um pedido pessoal aceito. Durante o depoimento, Gratz solicitou não voltar para o Presídio de Segurança Máxima, em Viana, para onde foi transferido na quinta-feira. O ex-deputado argumentou que foi colocado em um cubículo, sem cama, sem luz, sem água e que não merecia passar por essa situação. Com isso, após o interrogatório, Gratz retornou para a Delegacia da Praia do Canto.
Ainda de acordo com os autos do interrogatório divulgados pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, José Carlos Gratz disse estar “desgostoso com a política e que jamais retornará à vida pública”. Ele espera poder pagar o que deve à Justiça e retornar ao convívio da família. Gazeta Online